Contrariedades



Curiosamente na época em que no hemisfério norte fica mais escurecido, é quando as luzes saem pelas ruas das cidades, vestindo-se das múltiplas cores, brilho e formas. As três grandezas físicas básicas da luz (e de toda a radiação electromagnética) são: brilho (ou amplitude), cor (ou frequência), e polarização (ou ângulo de vibração). Sob este espectáculo de luzes fustigados de chuva e embalado pelos ventos, vai incentivando as pessoas a enfrentar o frio e sair à rua. Ruas também elas afogadas nas águas pluviais e cuja drenagem é insuficiente ou inadequada, talvez sequelas de manobras eleitorais apressadas e que a natureza não se compadece. No reino da Natureza dominam o movimento e o agir, enquanto que aos executivos se exige a aptidão e o querer. A ciclicidade da Natureza manifesta-se necessariamente nos fenómenos. Nos executivos as aptidões, têm que ser postas em exercício por parte da vontade para poderem ganhar forma e devem ter o discernimento de tirar mais valias que lhe sejam propostas, pode ser essa a forma de se tornar mais forte. Lembremo-nos da física como uma das ciências exactas de referência, podemos compreender fenómenos a todas as escalas e com diferentes tipos de organização, que defende em termos básicos que um corpo eleva tanto mais a sua massa quanto maior for a sua capacidade de aglutinar partículas, o mesmo pode ser destruído se entrar em permanente colisão com as partículas que o satelizam e o comportamento geral de um corpo sob a influência gravítica de outro resulta no futuro numa órbita muito diferente, mas bem definida e com maior estabilidade. A ideia do Provedor Municipal, deve ser uma a ser aglutinada pelo executivo, devendo ter como princípio assumido o carácter de não dependência hierárquica relativamente a quem quer que seja, daí que o facto de a sua criação a partir da Assembleia Municipal. Um dos papéis essenciais será uma função pedagógica e de amortecimento entre os munícipes e a Autarquia, pois se é sua obrigação a informação, o diálogo e o auxílio na resolução dos problemas daqueles, devendo a acção daquele enquadrar-se num objectivo da resolução e despiste de quezílias e por nunca numa postura de pró poder ou anti poder, sem referir opinião de opções e decisões políticas dos eleitos. A criação desta figura num gabinete do munícipe seria uma mais valia no concelho, assim haja a vontade e a coragem para a criar para depois haver também a maturidade para a respeitar e ouvir. As mudanças não devem ser eternamente raios de luz no fundo do túnel mas sim a claridade da acção, que parece resultar de bons ou de maus auspícios, aos quais se deve uma grande parte dos louvores e das críticas que se lhes atribui e esta até parece ser uma medida consensual. Menos consensual porque implica solicitar esforços financeiros numa época em que a crise é transversal relativamente a taxas e impostos, cuja proposta apresentada pela câmara cujo objectivo parece ser exclusivamente uma tentativa imediata da angariação máxima possível de receita, ficando descurado medidas de apoio às empresas e às famílias e o combate ao desemprego e com isso contribuir para a retoma económica e para o combate à exclusão social. Os impostos são aquilo que se paga para se ter uma sociedade civilizada e mais justa, mas a sensação dos contribuintes é precisamente inversa. A capacidade de gestão duma autarquia é inversamente proporcional ao peso dos impostos. Em teoria, os recursos arrecadados são revertidos para o bem comum, para investimentos (tais como infra-estruturas: estradas, e com os nossos impostos os arranjos precários das estradas deixou muito a desejar) e custeio de bens e serviços públicos, como saúde, segurança e educação. A Câmara terá de ter sempre em conta que como concelho pequeno não pode limitar a sua subsistência ao impostos mas deve exigir ao poder central uma maior intervenção no sentido de o dinamizar e criar antecipadamente infra-estruturas compatíveis com o desenvolvimento como um parque industrial devidamente atractivo e apelativo para a criação de novas empresas e assim criar mais riqueza havendo mais matéria tributável. A taxação máxima ou no seu limiar não é uma medida dinamizadora nem a mais adequada e concerteza não é a mais aliciante para a implementação de novas empresas e esta impermeabilização das políticas fiscais têm-se revelado sempre insuficientes.

Benjamim  Franklin disse:"Nada é mais certo neste mundo do que a morte e os impostos ", e essa parece ser uma realidade cada vez maior, tal como a chuva que todos os anos vai alimentando as nascentes e saturando os campos mas simultaneamente corroendo as nossas estradas e “craterizando” as bermas obrigando os peões quase a fazer escalada em lugar de caminhadas. Mas, alegremo-nos porque no concelho vamos ter um novo grupo folclórico, a cultura popular empolga-se curiosamente na mesma freguesia onde as danças de salão tiveram muito poucos apoios, alvitremos que o nome dessa freguesia se projecte e quando a celebração do tratado de aliança possamos receber com pompa e circunstância, muita música e alguma etnografia. É uma forma de mostrar aos possíveis ingleses convidados para a cerimónia que o nosso povo evoluiu apesar de continuar a respeitar fielmente o acordo mais antigo entre dois povos ainda em vigor, e que em momentos da História foram eles que não o cumpriram e até no final do século XIX chegaram a fazer propostas de apoio de anexação ao rei de Espanha se Portugal não abdicasse do mapa cor de rosa. Talvez seja interessante lerem-se crónicas da história inglesa à época do tratado em que definia esta terra lusa como de "...campos cuidados e verdejantes cruzados de nascentes cristalinas e algumas fumegantes que invasores as usaram para a lavagem de males". Esta talvez seja a diferença maior que vão encontrar nestes séculos de História porque dessas já não reza a História, pois o tempo recente acabou de apagá-las, algumas vezes perder tempo em coisas demasiado óbvias ou populistas, priva-nos de descobrir coisas interessantes: contrariedades duma época que nunca tem tempo.

Pensem nisso

António Veiga

1 comentários:

ROSARINHA disse...

"algumas vezes perder tempo em coisas demasiado óbvias ou populistas, priva-nos de descobrir coisas interessantes: contrariedades duma época que nunca tem tempo."
Exatamente!!! Por exemplo, deleitar-mo-nos com as belas paisagens de Portugal.
Passamos por aqui, justamente para isso, admirar essas fotos lindas e que nos leva a sonhar.
Lindo dia!!

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