A cultura, o parente pobre da política.




Aquilo que nós vivemos e o que estamos vivendo, faz parte do processo de construção da nossa história, ou seja, é nossa cultura. Cultura é inclusão, é uma porta de entrada para que tenhamos uma sociedade mais justa, mais humana. O mundo da cultura é amplo e ilimitado. Através dele é possível chegar a lugares inimagináveis e alcançar objetivos abstratos. Sonhar é um ato necessário para o ser, porém, para sonhar é preciso inspiração, criatividade e claro, motivação. Ter acesso à cultura é primordial para o crescimento duma região. Por isso, quanto mais políticas públicas forem criadas para que as comunidades mais carentes tenham acesso a arte, música e demais manifestações artísticas, maior será o resultado positivo destas ações. A arte é uma das maneiras mais eficazes para manifestação de novas tendências e até mesmo para criar conceitos e inserir novas maneiras de abrir a perceção do ser, em relação ao mundo, a vida, ao amor e também as relações humanas. E conhecer a cultura conviver com a cultura ajuda na formação de ideias e projetos, enriquece e preserva a identidade de cada um, ou melhor ainda, salvaguarda-a. Numa época em que é preciso criar e inovar, todas as ideias devem ser acarinhadas e estudadas, nunca perdidas ou descartadas isso só é possível quando à vontade de diálogo. Como afirma o moralista Marquês de Vauvenargues: "Aqueles que desprezam e ignoram não são grandes homens e muito muito menos potenciais líderes."
Os políticos no concelho, interessados no seu ranking eleitoral, mais notório nos maiores partidos, descartam e anulam as ideias dos outros afirmam numa absoluta prepotência que o seu projeto é o mais válido e solitários na sua convicção não veem sequer os erros estruturais os mesmos têm, ou por outros supostos motivos obscuros ignoram-nos. As ideias gladiam-se como num campo magnético produzido por linhas aéreas de transmissão de energia em que a catenária descrita pela linha de transmissão influencia diretamente nos níveis de campo magnético na área próxima a linha de transmissão mas o objetivo é anularem-se. No entanto não apagam outras que por si só já se anteciparam, mas que por serem paridas doutra prole foram simplesmente ignoradas. Satura-se a política do supérfluo. Nega-se o debate para a autopromoção. O eleitorado cansa-se mas acomoda-se onde houver mais barulho ou cores. Os mais resignados e desinformados dirão que ainda não se criaram as circunstâncias, puro engano, as circunstâncias são o dilema, sempre novo, ante o qual temos de decidir.Com a aproximação das eleições (quaisquer eleições) dissemina-se a frase: “nem lá vou”, frequentemente seguida de “são todos iguais”. Muitas dessas pessoas pensam que ir votar é um favor que fazem aos políticos. Puro engano, esta pesporrência é um entendimento enviesado do ato eleitoral e tem tanto de triste como de eloquente por ser o retrato do estado de direito que vivemos, onde a liberdade de agir é um direito. Mas a ação também tem as suas consequências e é quando surgem que todos querem ajuda ou sacudir a água do capote e são engolidos no sistema sem darem conta.

A política é demasiado nobre e determinante das nossas vidas para que se deixe cair na vulgaridade e perca o interesse das pessoas, e não é a política de espetáculos incandescentes mas minimalistas de cultura. Visto que todos fogem a um debate conjunto e não querem fazer da política um lugar de debate, tertúlia, confronto de ideias, onde se poderia associar cultura. Precisa-se inovar. É preciso acreditar numa orientação política diferente. É preciso ter rumo, haver premissas fulcrais. Tal como o concelho precisa virar-se para o rio e as termas, a criação da marca Vizela deve nascer um nicho de cultura que defina, determine e inove a identidade. Isso tudo é possível nascer através do contato com todas as formas de expressões artísticas. Precisa-se criar a necessidade da cultura e fomentá-la e financiá-la mas também encruzilhá-la com as diferentes forças vivas e culturais de Vizela. Dar vida à cultura para ela dar vida ao concelho duma forma abrangente e ativa, será uma condição sine qua no para colher frutos profícuos e atrativos. Um povo sem arte e sem cultura é um povo que não existe. Portanto, a cultura é também um fator crucial no desenvolvimento de qualquer região e não pode ser um parente pobre. É através dela que encontramos várias expressões artísticas, fulcros científicos, correntes ideológicas ou filosóficas, presentes na homologação dos indivíduos e grupos sociais.

Porque somos diferentes e acreditamos que a diferença faz a mudança- A diferença pode acontecer num simples sarau de poesia encenada, modesto é certo, mas que pode abrir a janela ao pensamento e ao sentimento de todos os que quiserem ir, sem terem que ficar cativos de compromissos ou serem assediados. A arte não gosta de ser assediada nem tão pouco bajulada. A poesia é a voz do coração organizada na razão que pode ser mais abrangente se o teatro as encenar. A CDU vai organizar no próximo domingo dia 30 de julho um Sarau de Poesia encenada pelo grupo de teatro da licenciatura de teatro da Universidade do Minho. O mesmo decorrerá na sala da casa de povo de Vizela pelas 21 horas. Afinal somos todos Vizelenses e todos juntos podemos car continuidade à identidade que herdámos mas também criar uma identidade mais forte e coesa para o futuro está lançada a nossa ponte numa Vizela para todos duma Vizela para sempre onde contará sobretudo dignificar Vizela e os Vizelenses.
O espetáculo, incidirá em poesias de vários autores lusófonos que convidarão a um passeio pelo imaginário, pensamento e sentimento. A CDU convida assim todos os Vizelenses que queiram assistir a esse sarau de poesia independentemente da sua convicção política, afinal a arte pode ser agregadora de todos os vizelenses e da alma vizelense.  Este humilde espetáculo valerá mais pela inovação e agregação dos Vizelenses e terá tanta mais importância quanto essa mensagem for assimilada.

A porta fica assim aberta para todos porque o povo deve ter sempre a porta da cultura aberta, por isso no domingo dia de descanso à noite na casa de povo serão bem-vindos.

Pensem nisso


Tiranias democratas



As democracias são até hoje a melhor forma de entregar o poder, porque até à data não se inventou nenhuma outra forma mais abrangente para o fazer. No entanto pode ser , na sua essência perigoso, na medida em que a entrega do poder a uma maioria corre-se o risco de uma ditadura de maiorias. Dessa forma, o poder e os eleitos, tornam-se mais frágeis e manipuláveis por interesses e compadrios, que com a sua força e influência económica, pessoal ou social. Uma democracia é tanto mais englobante e dinâmica quanto mais for participativa por projetos diferentes desde que haja compromisso claro com as reais necessidades ao que se propõem. A atribuição de poderes de decisão a partidos ou forças cuja representatividade é menor permite aportar um conjunto de mais-valias à mesa de decisões tornando audível a voz de minorias. Maquiavel via a democracia como o exercício do poder plural da república, por sua vez uma forma de governo na qual o poder é coletivo. Decididamente a democracia não é para autistas que refutam o debate e não se completam nas diferentes vontades. Há atualmente uma confusão muito grande a respeito do que é a democracia na sua essência. Cabe ressaltar que a “ditadura da maioria”, como a que se viveu em Vizela nestes últimos 19 anos, é parte de um discurso defendido por alguns membros de elites, de grupos que se colocam como opressores de camadas minoritárias da população. A maioria, que todos os partidos agarrados ao poder e aos interesses clamam, é uma organização castradora que unilateralmente consegue definir à luz dos seus propósitos o que é justo ou injusto, certo ou errado. Dessa forma fomenta-se uma democracia que se condena, viabiliza-se uma ditadura eleita prepotente, abafando e absorvendo propostas ou projetos  que venham doutras ideias. Assim, a democracia fica convertida em autoritarismo, como um instrumento de dominação, na visão destes “superiores” que patrocinados e impulsionados por interesses obscuros tentam minimizar outros projetos. Muitos deles passam nessas democracias e quando ameaçados ou com os propósitos atingidos continuam à distância a manipular dissimuladamente. Para o poder emanar do povo, há que se considerar duas premissas: que todos aqueles que compõem o povo sejam livres e iguais. Devem ser livres para agir e se manifestar, sempre respeitando a liberdade do outro, o qual, sendo igual, terá igual liberdade e igual valor na arena de debate público. Como pode ser-se igual quando outros se refutam à frontalidade e escondem-se no marketing e no oportunismo de influência. Mas acreditem, democracia não é isso, democracia é ouvir e dar voz aos que não conseguem falar tão alto, ou que nem sequer podem falar. Para que possam ser ouvidos também, de forma a darem um parecer, mesmo que contrário ao que grande parte da população quer e precisa. Democracia não é apelo à maioria, muito menos “ditadura”. Por isso é assustador e de mau presságio declarações de candidatos que afirmam que no dia depois das eleições só farão acordos pontuais contrariando a figura visível dum sempre em pé numa vénia constante aos que passam, apenas para lhes caçar o voto, pois não se constroem pontes de costas voltadas pois o azimute direcional á antagónico e focado em horizontes opostos. Diálogo e compromisso coletivo são valores inerentes à democracia e como tal essenciais, caso não se acredite nisso teremos o próximo presidente na câmara fechado no seu gabinete a fermentar decisões dos que o empurraram para o poder. Aí os sempre em pé serão marionetes e o povo durante quatro anos assistirá ao espetáculo deja vu onde perde representatividade, por isso desacredita e definha na cumplicidade do seu voto, o ato mais nobre da democracia.
Pensem nisso

Clarificar as águas poluídas


Uma cidade e um concelho não podem crescer de costas voltados para as suas ancestrais mas vivas potencialidades. É importante por razões históricas mas também de desenvolvimento sustentado e enquadrado o crescimento de Vizela nas Termas e no rio. Isso obriga a uma visão holística das intervenções a fazer nomeadamente na despoluição do rio e dinamismo das termas. A despoluição do rio é um processo complexo, que não se resolve com demagogias, e que terá de ser elaborado em várias fases com uma intervenção metódica que passará pela monitorização atualizada dos parâmetros biológicos, químicos e físicos e geográficos do rio. Assim como uma intervenção concertada e reivindicadora devidamente fundamentada junto das instituições intervenientes. Seguir-se-á a requalificação das margens numa primeira fase, depois duma minuciosa identificação das construções ribeirinhas, terrenos e indústrias e respetiva sinalização de pontos de descargas e captação de água com intervenções que preservem o ecossistema e o caudal. Elaboração duma limpeza e reestruturação de toda a zona ribeirinha preparando-a para uma construção dum passeio verde em toda a extensão que permitirá não só uma consequente proximidade das pessoas para junto do rio e elas próprias servirem de dissuasores a poluidores. Esta proximidade das pessoas ao rio permite numa escala progressiva no tempo o aumento de visitantes, criando assim condições e oportunidade para a construção de infra estruturas dinamizadoras do lazer e do desporto centrando em torno do rio algum desses projetos como um nicho de desporto em várias modalidades. Criação dum centro de ciência vivo que à medida que estuda o rio dinamizará a criação de zonas verdes e aquíferas assentes num equilíbrio ecológico e dinamizador de conhecimento permanente das caraterísticas do rio. Propagandear interiormente e exteriormente o rio através de eventos culturais/desportivos/lazer e neles projetar a sua imagem e atrair operadores turísticos para duma forma sustentada apostarem em investimentos ecologicamente não agressivos de investimentos, catalisadores de turismo como seja: bares, restaurantes, piscinas ou mesmo hotéis, entre outros. O aumento dos investimentos na zona ribeirinha em toda a área do concelho permite uma harmonia no crescimento do mesmo e uma proximidade entre as várias freguesias. Numa análise conjunta com os empresários restará uma intervenção hércule, mas não impossível, como seja a mudança de paradigma do tipo de empresas industriais a trabalhar junto ao rio, Todo esta linha de orientação deve crescer racionalmente num espaço efetivo mínimo de dez anos, onde cada passo é dado quando estiver sustentado e assegurado o anterior sem atropelos nem tropeços. Há estudos sobre isso há muito abandonadona por autismo dos políticos de Vizela, não sei  do que se está à espera. Durante anos os que agora clamam despoluição, um pouco perdidos nas orientações, estiveram calados quando a eu com os deputados da CDU na assembleia da república visitaram e apresentaram nesse mesmo órgão propostas. Algumas das vezes os partidos que agora reclamam a despoluição não votaram os diplomas.  Esse talvez seja um ponto fulcral e inicial a resolver, medidas efetivas e não eleitoralistas, Afinal quando a nosso pedido a CDU pediu ao seu deputado para vir ver o rio e levar propostas no sentido de prover a despoluição não era período eleitoral e uma das vezes o povo de Vizela não tinha elegido nenhum dos nossos elementos nos órgãos autárquicos do concelho (Assembleia Municipal e Câmara). Essa é a diferença. Pode servir de silogismo para o futuro porque a despoluição do rio e outros fatores determinantes no concelho exige-se um compromisso comum a todas as forças e associações do concelho bem como da população em geral. Sendo da responsabilidade dos intervenientes diretos e da autarquia informar e incluir um espírito cívico do respeito por uma das maiores riquezas do concelho.

Pensem Nisso

O Repto


O país arde e em insegurança justifica-se do injustificável. O senso comum discute arduamente os eventos porque são frescos e culpa os políticos, mas o tempo apaga as memórias e tudo se cala até à próxima catástrofe ou polémica. Culpabiliza-se os políticos mas a seguir nega-se o entusiasmo do debate porque já não está na moda e orgulhosamente distanciados diz-se que não se gosta de política e dos políticos. Demagogos, alguns, sabem disso e cientes dessa amnésia com política espetáculo suavizam a ira e envolvem-nos nos seus novos projetos com apanágios populistas que encantam na sua irracionalidade. Os mesmos com nomes diferentes ou com caras diferentes fazem de novo festas ao povo e com festas buscam o apoio que uma vez mais servem interesses dos que por trás os movem. Saem à rua e à cidade como caracóis expõem uma pequena parte porque o restante, o cerne, está escondido na casca. O povo, a gente que não gosta de política vota, sem conhecer os projetos só porque lhe agrada as cores da campanha ou o alimentar de quezílias mas, no fim pagam tudo o que consumiram. Pagam sardinhas a preço de Lagosta. Pagam os banquetes que outros se banqueteiam. Depois, revoltados reclamam como treinadores de bancada, cuja voz apenas se torna audível para divulgar a profissão menos digna que eles acreditam que todas as mães dos árbitros têm. Não trazem nada de novo, ofendem por ofender, falam por falar, incitados pelos que têm interesses nesses impropérios. Tudo fica na mesma debaixo desses espetáculos e o país, os concelhos empobrecem enriquecendo os ricos… os do costume. Será que não há massa crítica nas gentes do povo para ouvir e mudar esta ciclicidade? Acredito que sim porque já começa a ficar onerosa para todos nós esta política espetáculo que nos amarra e nos puxa em redundância a crises. Acredito que Vizela nestas eleições faça marca, faça estilo e que todos em conjunto objetivamente apresentem aos eleitores os projetos (justificados e calendarizados) em igualdade e que não seja o marketing publicitário a ganhar eleições mas as ideias, porque esse encosta ao lado dos que têm outros interesses. Porque acredito nisso? Já há parcos sinais doutros que seguem os nossos passos, mas que em conjunto com todos pode ser uma grande passada no objetivo comum que é dignificar Vizela e os Vizelenses. O repto fica lançado. 

Pensem nisso

António Veiga

Olhares


O mundo é bem diferente da forma como o vemos. Pelos efeitos das leis da física e da biofísica a visão é um sentido traiçoeiro. As ilusões óticas sempre foram usadas por mágicos ou falsos Messias. Num processo policromático a visão também nos permite ver muito mais cores que o preto, o branco ou o cinzento. A policromia permite um olhar mais substancial e diverso, talvez por isso as pessoas diferentes na sua tendência usam o arco iris como símbolo. Ver todas as cores é um discernimento e mais-valia quando se olha o mundo que nos rodeia. Mas olhar as formas também depende da apetência de cada um e da capacidade de focar. É estranho parar para pensar e ver que a mesma rua que vemos não é a mesma rua que os outros veem. A forma de ver o mundo está dentro da cabeça de cada um, muda de acordo com as experiências e as ideias de cada um. Podemos não nos dar conta, mas a sociedade e o meio ambiente estão em transformação diária, e vivendo na época da imagem, a virtualidade pode tomar conta da realidade. Se não soubermos ver, olhar e fazer uma reflexão sobre os dados colhidos não saberemos executar. Se apenas copiamos o que vimos seremos uma réplica, nisso a cultura é determinante, pois se não criarmos a nossa forma de festejar estaremos a fazer as festas dos outros, senão criamos as nossas pinturas estamos a fazer as pinturas dos outros. Se quisermos mudar a história não pegamos nos velhos do Restelo e partimos para os descobrimentos. Se quisermos ver as distâncias mais curtas, não temos de fazer carreiros porque eles estrangularão com o aumento das nossas necessidades e não há nada pior para andar que carreiros alargados e pior ainda quando são alargados à pressa. Pois fazer o que seja por interesse ou vingança é uma displicente forma de estar na vida ou defender qualquer projeto. Se quisermos embelezar a paisagem não devemos virar as costas para os cursos de água pois foi por causa deles que os ancestrais criaram e se agregaram em povoados. Tanto mais que de costas voltadas nunca tiraremos o seu proveito nem conseguiremos contemplar a sua beleza. Olhar para o futuro é saber ver e conseguir olhar e não permitir que nos vedem os olhos ou nos ceguem da multiplicidade de cores, porque o arco iris só é possível se tiver todas as cores e a agitação exasperante de todas elas no branco ou a falta de cor por ausência de luz no preto  não são credíveis, muito menos a indefinição do cinza. 

Pensem nisso

Um país para amar

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Os portugueses não sabem gerir muito bem as vitórias nem as derrotas. Umas vezes iludidos num sebastianismo utópico, outras agregados ao fado do derrotismo e maledicência do velho do Restelo. esquecemos muitas vezes que sem sermos melhores que ninguém a nossa diferença de ser e estar pode encantar. Talvez tenha sido esse o encanto do Salvador Sobral- numa balada simples e melodiosa na língua que nos une. Fica o vídeo com essa balada numa viagem por terras dum país para amar.

Barulhos


Ouvir é um dos sentidos que nos permite enquadrar no mundo. A falta de audição inviabiliza um entrosamento total no que nos rodeia. Por acharmos importante enquadrarmo-nos na realidade do concelho solicitamos aos organismos e coletividades do concelho reuniões para os ouvir e nos enquadrarmos numa realidade mais assertiva. Encetámos algumas dessas reuniões donde resultaram mais-valias para o nosso conhecimento e programa, como foram o caso da AIREV e do Coração Azul e com certeza as outras que temos agendado também o serão. Fomos ouvir para melhor perceber, longe dos holofotes do populismo ou do barulho da ribalta. O barulho nem sempre está do lado da razão ou da objetividade. A maioria das vezes serve pra distrair, dividir ou mesmo dispersar. No barulho pode-se fazer música mas não passa de arpejos básicos enquadrado num ritmo cadenciado e pobre que apesar de entrar facilmente no ouvido está longe de ser música capaz de enlevar ideias ou objetivos. A música é mais do que isso porque só podemos realmente fazer música se nos debruçarmos sobre a árdua tarefa de saber solfejo. Insistindo num princípio básico de confundir barulho com música corríamos o risco civilizacional da música clássica ser uma simples batida de tambores aborígenes. Não porque eles não sejam importantes mas porque foram esboços do que civilizacionalmente desencadeou a música. O barulho do rufar dos tambores sinaliza festejos mas também propósitos de guerra Perdermo-nos com barulhos é como criar uma tela opaca com uma grande quantidade de etiquetas, conceitos, palavras, julgamentos, imagens que bloqueiam a verdadeira essência e resolução das coisas. Assim o barulho tolhe e condiciona a um autismo cada vez mais ensurdecedor induz a uma primitividade de respostas e são executadas medidas avulsas e decisões precipitadas ou desenquadradas porque não se consegue o silêncio natural para ouvir os outros e compartilhar ideias. Tal tabuleiro de xadrez onde, as peças estão em luta umas com as outras, enquanto o tabuleiro tem apenas o papel de observador e palco de luta. O tabuleiro nada ganha com essa luta, mas as peças que estão em combate, algumas delas vão sendo eliminadas, no fim do jogo o tabuleiro fica mais pobre menos preenchido, até ao próximo jogo onde as peças se reúnem de novo.

Pensem Nisso


António Veiga

Elevar a discussão Política em Vizela




"Consciente da importância de elevar a discussão política em Vizela pretendemos elaborar medidas de intervenção políticas diferentes na campanha das autárquicas. Arredados de discussões infrutíferas, do mediatismo de festividades ou cartazes, iremos propor diferentes iniciativas dirigidas à população em geral tais como sarau de poesia, música jazz, peça de teatro, debate aberto sobre as termas e a importância da hidroterapia na saúde, enaltecendo o bom que há em Vizela.

Programaremos os locais para a sua execução conforme a pertinência do tema a tratar e disponibilidade que nos for dada, sem pensarmos em multidões seremos tantos quantos os que quiserem estar informados do nosso projeto, brevemente apresentaremos o agendamento.

Com objetivo de transformarmos a campanha eleitoral de Vizela abrangente, séria e dirigida aos interesses da população,  pretendemos calendarizar vários eventos e os agendamentos com as diferentes instituições, associações e coletividades existentes no concelho. Por forma a auscultar as reais necessidades do concelho e  as enquadrarmos no programa eleitoral que nos propomos ao eleitorado. Achamos importante auscultar a ACIV, Sociedade Filarmónica Vizelense, Fundação Jorge Antunes,  Futebol Clube de Vizela, Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vizela, Câmara de Vizela e Centro de Saúde. Estes e muitos outros que ousem a cordialidade de nos receber.

Desafiamos também os outros candidatos à organização conjunta de plenários abertos, com o objetivo duma discussão profícua das grandes metas, nas diferentes perspetivas que importam para Vizela como sejam: as acessibilidades, a educação, a saúde, as termas e o orçamento. Dessa forma a visibilidade de todos os projetos seja equitativa e os cidadãos posderiam em consciência optar pelo projeto que lhe parecer mais adequado. Porque todos somos Vizelenses, com vontade de transformar Vizela num local mais digno para viver  e porque Vizela precisa de todos,  esse gesto poderá ser uma forma de mostrar a diferença e unir Vizela e os Vizelenses em prol dum futuro. Não se pode limitar as ideias dum projeto para Vizela a um único debate conjunto ou apresentações individualizadas com ou sem festividades que não incluem verdadeiramente os Vizelenses. O futuro de Vizela precisa ser mais abrangente. Nada há a temer para os que de fato têm um projeto para o concelho, pois os projetos são rascunhos do futuro e serão tanto mais verosímeis e exequíveis quanto mais forem participados."

Pensem nisso
AntónioVeiga

As viagens de comboio

Viagens de comboio



Tal como partir é sempre bom regressar e a poesia tal como os comboios permitem a partida e o regresso. Vejam o vídeo, ouçam a música e o poema traduzido, seguido do original de Grand Corps Malade com a garantia que manterei vivo este espaço com novidades, marco desta forma o regresso.

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Eu acredito que as histórias de amor são como viagens de comboio
Quando vês um desses viajantes, gostarias de ser um
Porque achas que há tantas pessoas à espera nas estações?
Porque achas que ninguém quer chegar atrasado?

Os comboios partem sempre no momento em que menos queremos
E a história de amor te leva sob a mira de testemunhas oculares inertes
As testemunhas são os colegas que te dizem “até logo” na estação
Eles observam o comboio distanciar-se com um sorriso inquieto
Tu também acenas para eles e imaginas os seus comentários
Alguns acham que tu fizeste asneira  e não tens os pés sobre a terra
Cada um tem seu prognóstico quanto à duração da viagem
Para a maioria o comboio vai descarrilar com a primeira tempestade.

O grande amor muda necessariamente seu comportamento
Desde o primeiro dia, é melhor escolher o teu compartimento
Lugar junto àjanela ou corredor, é preciso escolher o melhor lugar
Procuras  uma história de amor de primeira ou segunda classe?

Nos primeiros quilómetros, tens os olhos vidrados no rosto de outra pessoa
Não  observas  pela janela o desfilar das paisagens
Sentes-te vivo, Sentes-te leve, não vês passar a hora
Sentes-te tão bem que tens vontade de abraçar o maquinista

Mas a magia não dura muito e tua história bate as asas
Dizes a ti mesmo que não sentes bem e que a culpa é do outro
O barulho do comboio atordoa-te e cada curva do comboio enjoa-te
Precisas levantar-te, caminhar e alongar o teu coração de vez em quando

E o comboio reduz a velocidade e é o fim da sua história
No entanto, terminas como um idiota, os teus amigos ficaram noutra estação
Dizes “até logo” àquela a quem chamarás, a partir de então, de ex
Na agenda dela, ela apagará o teu nome

É verdade que as histórias de amor são como viagens de comboio
E quando tu vês todos esses viajantes, talvez gostasses de ser um deles
Porque achas que há tantas pessoas à espera nas estações?
Porque achas que ninguém quer chegar atrasado?

Para muitos a vida se resume a tentar subir para o comboio
A tentar conhecer o amor e se descobrir maravilhado com isso
Para outros, o objetivo é chegar na hora exata
Para conseguir terminar sua viagem e ter acesso à felicidade

É fácil apanhar um comboio, mas é preciso apanhar o comboio correto
Eu mesmo subi em dois ou três carruagens, mas não eram as melhores
Porque os comboios são caprichosos e alguns são inacessíveis
Eu não acho que existam comboios suficientes

Tem os que entram no primeiro comboio sem prestar atenção
Mas necessariamente eles descerão na próxima estação
Há os que enlouquecem quando se envolvem, pois são muito emotivos
Para eles é muito arriscado podem mesmo agarrar-se à locomotiva
Há os que enlouquecem quando se envolvem, pois são muito emotivos
Para eles é muito arriscado podem mesmo agarrar-se à locomotiva
Existem os aventureiros que engatam viagem atrás de viagem
E assim que uma história termina, eles já vão para outra página

Eu, após minha única viagem, já sofri durante muitos meses
Nós terminamos em comum acordo, mas ela estava mais de acordo do que eu
E agora quando estou nas estações, observo os comboios de partida
Há portas que se abrem, mas, numa estação, eu sinto-me distante

Parece que todas as viagens de comboio terminam mal, geralmente
Se foi o teu caso, recompõem-te e mantém-te firme
Porque uma coisa é certa, haverá sempre um terminal
Agora que estás advertido, da próxima vez, 
apanha um autocarro.



Les Voyages En Train

J'crois que les histoires d'amour C'est comme les voyages en train
Et quand j'vois tous ces voyageurs Parfois j'aimerais en être un
Pourquoi tu crois que tant de gens attendent sur le quai de la gare?
Pourquoi tu crois qu'on flippe autant d'arriver en retard?

Les trains démarrent souvent au moment où on s'y attend le moins
Et l'histoire d'amour t'emporte sous l'oeil impuissant des témoins
Les témoins c'est tes potes qui te disent au-revoir sur le quai
Et regardent le train s'éloigner avec un sourir inquiet

Toi aussi tu leur fait signe et t'imagines leurs commentaires
Certains pensent que tu te plantes et qu't'as pas les piedssur terre
Chacun y va de son pronostic sur la durée du voyage
Pour la plupart le train va dérailler dès le premier orage

Le grand amour change forcément ton comportement
Dès le premier jour faut bien choisir ton compartiment
Siège couloir ou contre la vitre y faut trouver la bonne place
Tu choisis quoi? Une love story d'première ou d'seconde classe?

Dans les premiers kilomètres tu n'as d'yeux que pour son visage
Tu calcules pas derrière la fenêtre le défilé des paysages
Tu t'sens vivant, tu t'sens léger et tu ne vois pas passer l'heure
T'es tellement bien que t'as presque envie d'embrasser le contrôleur

Mais la magie ne dure qu'un temps et ton histoire bat de l'aile
Toi tu dis qu'tu n'y es pour rien et qu'c'est sa faute à elle
Le ronronnement du train te saoule et chaque viage t'écoeure
Faut qu'tu t'lèves que tu marches, tu vas t'dégourdir le coeur

Et le train ralentit c'est d'jà la fin d'ton histoire
En plus t'es comme un con tes potes sont restés à l'autre gare
Tu dis au r'voir à celle que t'appel'ras désormais ton ex
Dans son agenda sur ton nom, elle va passer un coup d'tip-ex

C'est vrai qu'les histoires d'amour c'est comme les voyages en train
Et quand j'vois tous ces voyageurs parfois j'aim'rais en être un
Pourquoi tu crois qu'tant d'gens attendent sur le quai d'la gare?
Pourquoi tu crois qu'on flippe autant d'arriver en r'tard?

Pour beaucoup la vie s'résume à essayer d'monter dans l'train
A connaitre ce qu'est l'amour et s'découvrir plein d'entrain
Pour beaucoup l'objectif est d'arriver à la bonne heure
Pour réussir son voyage et avoir accès au bonheur

Il est facile de prendre un train, encore faut-il prendre le bon
Moi chui monté dans deux-trois rames mais c'était pas l'bon wagon
Car les trains sont capricieux et certains son inaccessibles
Et je n'crois pas tout l'temps qu'avec la SNCF c'est possible

Il y a ceux pour qui les trains sont toujours en grève
Et leurs histoires d'amour n'existent que dans leurs rêves
Et y ceux qui foncent dans l'premier train sans faire attention
Et forcément ils descendront déçus à la prochaine station

Y a celles qui flippent de s'engager parce qu'elles sont trop émotives
Pour elles c'est trop risqué d's'accrocher à la locomotive
Et y a les aventuriers qu'enchainent voyage sur voyage
Dès qu'une histoire est terminée, ils attaquent une autre page
Moi après mon seul vai voyage j'ai souffert pendant des mois
On s'est quittés d'un commun accord mais elle était plus d'accord que moi
Depuis j'traine sur le quai, j'regarde les trains au départ
Y a des portes qui s'ouvrent mais dans une gare j'me sens à part
Y parait qu'les voyages en train finissent mal en général
Si pour toi c'est l'cas accroche-toi et garde le moral
Car une chose est certaine y aura toujours un terminus
Maint'nant tu es prév'nu, la prochaine fois tu prendras l'bus..


Grand Corps Malade


Pensem nisso

Estrela da tarde no entardecer da vida

O entardecer da vida  vai ficando tarde mas há sempre uma estrela a iluminar o entardecer: a estrela da tarde,  hoje envelheci um ano mais, agracio-me e agracio-vos com uma música portuguesa e com um dos mais belos poemas do grande poeta Ary dos Santos:


Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!:
Ary dos Santos





Terra Ruiva a Sul: Silves

After the Almoravid conquest the town became Almohad in 1156. In 1189 King Sancho I of Portugal conquered the town with the aid of Northern European crusaders. Silves  is a municipality in the Portuguese Algarve of southern Portugal, is the former capital of the Algarve and is of great historical importance.

Silves tras la conquista musulmana se convirtió en la capital de la región del Algarve, recibiendo el nombre de Silb durante el dominio musulmán. La historia de Silves se remonta a hace unos 3.000 años. Fue habitada por fenicios y cartagineses, y romanos.


Silves a été établie comme base de commerce phénicienne. Cette colonie devient en grandissant la ville romaine de Silbis. Elle est ensuite la capitale du petit royaume musulman d'Algarve, avec au xiie siècle un château, un port, des chantiers navals et un commerce bien établi avec les ports de Méditerranée et d'Afrique. Portugal après un siège de trois mois en 1189, puis repris en 1191 par les Almohades (Abu Yusuf Yaqub al-Mansur), et enfin définitivement rattaché au Portugal avec l'Algarve en 1253.


Silves è un comune portoghese di 33.830 abitanti situato nel distretto di Faro.


O povo se afasta cada vez mais dos políticos, como se estes fossem símbolos de todos os males. As instituições normativas, que fundamentam o sistema democrático, caem em descrédito. Os governantes, eleitos pela expressão do voto, também engrossam a caldeira da descrença e, frágeis, acabam comprometendo seus programas de gestão. Talvez seja por isso que seja importante o povo virar-se para o seu país. Quando se vive de ilusões é porque algo não funciona. A imagem dos portugueses mais constante é a de alguém que está parado no passeio à espera de que o ajudem a atravessar para o outro lado, por isso temos de dar um passo em frente, com a força que as coisas verdadeiras e naturais merecem, e que o ranço velho não estrague a vontade de rumar ao outro lado da estrada, por isso hoje convido-vos a mais um safari fotográfico por estas terras Lusas, bem ao Sul em Silves. Apesar de ser uma cidade algarvia, dá ares de burgo romano ou mesmo toscano, muito por culpa da sua cor vermelha que encontramos nos principais monumentos e também nas muralhas do castelo. É o grés vermelho, material que abunda na região, empregue na construção dos edifícios, dando-lhe uma aparência muito característica, especialmente porque se encontra em abundância nas muralhas do castelo e da cidade antiga, espalhadas um pouco por todo o lado.e faz dela uma terra Ruiva. Uma cidade carregada de história, onde por entre as suas ruas e vielas ainda se sente um charme especial.
Silves conquistada para os Portugueses pela primeira vez em 1189 por D. Sancho I foi  povoada desde a pré-história. Fenícios, Gregos, Cartaginenes . Ocupada por Romanos, Visigodos e conquistada pelos Mulçulmados no Século VIII, que lhe chamaram 'Xelb' e a tornaram num grande pólo cultural e capital do reino do 'Al-Gharb Al-Andalus'. Mantieve-se na posse de Portugal até à contra-ofensiva almóada que, sob o comando do califa Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur, em 1191.Tomada definitiva de Silves pelas forças de D. Afonso III em 1253, terminando o processo de Reconquista para Portugal. Foi capital do Algarve e sede do Bispado ate 1534, altura em que este se transferiu para a cidade de Faro. Silves é uma cidade cheia de locais interessantes, onde muitos partiram, ao serviço das caravelas do Infante D. Henrique, caso de Diogo de Silves, provável descobridor dos Açores.
O safari fotográfico inicia-se na margem oposta do rio Arado e vai colhendo imagens do muito que Silves tem para oferecer e contemplar começamos por atravessar a Ponte Romana caracteriza-se por uma mistura de estilos arquitectónicos. Se por um lado o tabuleiro é ogivado, num estilo medieval, é também suportado por cinco arcos redondos, cujos pilares estão protegidos por talha-mares num estilo Romano. O Arco da Rebola nas Rua Cruz da Palmeira é o que resta ainda hoje daquilo que foram as Muralhas do Arrabalde, uma estrutura de material mais pobre do que o utilizado nas muralhas da Almedina e no Castelo, que envolvia a parte mais baixa da cidade de Silves. O imponente Castelo de Silves é uma das componentes de um completo e sofisticado sistema defensivo e que é visível em todas as abordagens à cidade, estando a sua preservação bem conseguida e com permanentes exposições que lhe dão vida e nos conduzem até à reconquista cristã levadas a cabo pelos primeiros cinco reis de Portugal, embora a sua origem possa ter sido reduto defensivo da época romana ou pré-romana embora o que subsiste actualmente de todo esse sistema defensivo são os vestígios da época almóada da ocupação islâmica. O sistema era constituído pela Alcáçova, pelas Muralhas da Almedina, pela Couraça, pelas Muralhas do Arrabalde das quais ainda pode ser visto o Arco da Rebola. Junto à Câmara Municipal existe ainda a porta da Medina, uma construção que outrora foi a Casa da Câmara.
A Sé Catedral de Silves tem uma forma de cruz latina com um cruzeiro abobadado no cruzamento dos braços da mesma. O altar-mor está numa cabeceira em grés vermelho. A nave principal tem uma altura máxima de cerca de 18 metros e a dividi-la das naves laterais. O edifício apresenta uma mistura de estilos arquitectónicos dos quais se destaca o gótico. Pensa-se que a sua construção se tenha iniciado no Séc XIII sobre uma antiga mesquita Árabe após a reconquista da cidade aos mouros. A catedral contrasta com a sobriedade pouco ornamentada do exterior da Igreja da Misericórdia, enquanto o portal apresenta linhas clássicas e é composto por um frontão triangular. Por entre ruas e ruelas perdemos a noção do tempo mas ganhamos no tempo pela viagem que nos permite. Silves é assim um museu vivo da História de Portugal e doutros povos que passaram por este país como os árabes:Poço-Cisterna Árabe e a anterior citada ponte romana mas simbolizando o cunho nacional a Cruz de Portugal faz essas honras.
Culmina o safari num passeio pelo rio Arade e os campos de uma beleza bucólica e marginam o rio..

Pensem nesse passeio por terras algarvias lusas.

























Contemplo o que não vejo

Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.

Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.
Tudo é do outro lado,

No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.
Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.

Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.
(Fernando Pessoa)
























 
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