Consumismo: o sonho de hoje no pesadelo do futuro






Algumas as vezes debatemos-nos sobre o que é a felicidade e ela mora connosco ou nasce nas pequenas coisas como: conseguir uma execução ou tarefa básica, o reencontro de alguém, um pequeno gesto, enfim felicidade é tudo aquilo que nos permite sentir e ser como pessoa, não pelo que sentimos mas pelo que sentimos e somos. O que pode trazer felicidade no mundo contemporâneo? Durante séculos as religiões tiveram um papel essencial no preenchimento desse vazio, a filosofia complementava-o mas algum afastamento de ideologias religiosas e filosóficas ou políticas motivadas pelo marasmo ou fundamentalismos que algumas correntes produziram acabaram por ser aniquiladas por endeusamento de prazeres mais imediatos tais como o consumismo, ou seja ter sobrepõe-se à pessoa e aos poucos vai-se incutindo isso nas novas gerações dando às crianças e adolescentes tudo. Consumir é a actividade pregada como o que pode trazer as satisfações e realizações últimas da existência humana nas sociedades baseadas na acumulação de riqueza pelos donos dos meios de produção, a sociedade capitalista, crença de novas oportunidades a todos, diferente da comunista colectivo. Equidade, torna-se impossível competir o socialismo com o liberalismo e capital, principais impulsionadores do consumismo e sociedade de consumo 
A expressão sociedade de consumo designa uma sociedade característica do mundo desenvolvido em que a oferta excede geralmente a procura, os produtos são normalizados e os padrões de consumo estão massificados. Consumo e felicidade associam-se, a sociedade de consumo mostra, nas suas produções (telenovelas, filmes, séries, telejornais, concursos, revistas e publicidade), personagens realizados porque adquiriram algum objecto material. No consumismo, pensar muito não é a regra, ler um texto mais longo é cansativo, tudo tem de ser rápido e perecível para se substituído. Por vezes, quando menos intelectualizado o consumidor mais fácil convencê-lo. Por isso, conhecimento é sinónimo de intelectualismo arcaico ou seja “seca”. Tudo se responde nada se explica, como nos programas de televisão e rádio de perguntas e resposta, nos softwares de computadores pessoais. A realização plena está condicionada a ter algo, ter a roupa da última moda, o modelo mais novo dum carro, o cartão de crédito ilimitado, fazer a viagem ao destino mais procurado, ir à festa mais esperada, adquirir o telemóvel e o computador pessoal mais avançado. Representa muito mais do que prestígio, riqueza e poder. Significam objectos através dos quais se podem alcançar os modelos de felicidade. Os reclames da cultura industrial são evidentes: quando se tem é sinónimo de felicidade, há “ amigos”, há estabilidade na família, no trabalho e fundamentalmente na sociedade. Pensa-se que, imitando o consumo dos personagens das produções da cultura industrial ou dos vizinhos bem sucedidos através de empresas nascidas no hábito de fugir aos impostos que se alcança a felicidade. Assim, está a sociedade de consumo que acaba por criar uma crise e não consegue identidade própria para a vencer. 
Quem consome acreditando que adquiriu a felicidade pode não encontrá-la e acaba por cair num vazio que só um novo consumo pode resolver, há uma associação necessária entre ter os objectos e a realização última da existência humana. Isso porque fazer a viagem desejada, ter o carro mais novo, o telemóvel mais avançado, a roupa da última moda não se vai necessariamente ser feliz. O indivíduo pode ter tudo isso que ele considera indispensável para sua realização e continuar com os problemas que o separa da possibilidade de alcançar a sua felicidade. É como achar que, adquirindo-se os frascos, também se levam as verdadeiras essências, mas a existência dos primeiros não necessariamente está condicionada a possuir os segundos. Alguns produtos que tem utilidade prática passam a ter mais valor pelos seus acessórios que tornam tão importantes ou até mais do que sua função principal. Isso leva a lembrar os telemóveis que qualquer dia têm incorporados fogões de cozinha, banheira de hidromassagem e jacuzi. Para que serve mesmo na prática todos os acessórios dum telemóvel, talvez para criar mais dependência. Telefonar, sua função principal, tornou-se a que menos agrega valor ao telemóvel. 
Uma ironia que mais uma vez revela a inversão de valores que o consumismo articula ao incentivar o consumo como forma de satisfação pessoal. Até mesmo as relações mais subjectivas do indivíduo com outros e consigo mesmo são coisificadas. A insistente busca do corpo perfeito mostra isso. Não é só na academia de ginástica que se busca a estética corporal, mas também nas relações amorosas. Busca-se como parceiro, principalmente das relações mais perecíveis que para muitos são as mais importantes, quem tem o corpo mais perfeitamente enquadrado nos padrões de beleza estabelecidos socialmente. Esbelta, silhueta contornada, mamas e ancas salientes são as características para se desejar consumir no mercado sexual contemporâneo. Por isso, a conquista destas características significa a possível conquista do outro. Não só todo um sector da economia dos produtos light, de emagrecimento e de exercícios físicos é movimentado, mas a ideia de que com a parceira ou parceiro do corpo perfeito vai encontrar-se a plenitude da satisfação, mas isso agrava-se quando isso se prolonga aos descendentes e exigem das crianças a perfeição em troca da multiplicidade de coisas que lhe permitem. Seria esse o critério principal? Ou o principal mais uma vez foi trocado pelo acessório? Outra característica desnorteada da sociedade de consumo é a importância do lúdico. A realização plena tornou-se fuga da realidade. O lúdico é a saída. 
Trabalha-se cinco ou seis dias da semana para poder ter condições de desfrutar um sábado nas festas, um domingo nas praias e banhos e feriados em viagens. E quanto mais se desfruta mais traumatizado pode tornar-se e acabar mais viciado neste processo catártico. Os anúncios publicitárioss não mentem, mas realizam relações absurdas, bebendo a cerveja “xpto”, não implica ficar acompanhado de mulheres boas – assim a bebida é associada ao prazer sexual. A publicidade, através das propagandas e das notícias publicitárias, realizamos uma relação subtil e indirecta entre o consumo, o prazer e a felicidade, simplesmente somos felizes (independente de qualquer relação com o consumo) no momento que consumimos. Não se publicita que vende um pacote de leite prometendo que este irá tornar as famílias felizes, mas mostra-se famílias felizes quando o provam nos anúncios.
A tradicional lei da oferta e da procura já não depende do gosto dos consumidores porque quem tenta criar novas necessidades é a cultura consumista daí a crise entrar num processo cíclico. A mágica associação entre prazer, felicidade e consumo procura transformar novidades tecnológicas em algo indispensável para a vida das pessoas. O surgimento da sociedade de consumo decorre directamente do desenvolvimento industrial que a partir de certa altura, e pela primeira vez em milénios de história, levou a que se tornasse mais difícil vender os produtos e serviços do que fabricá-los. Este excesso de oferta, aliado a uma enorme profusão de bens colocados no mercado, levou ao desenvolvimento de estratégias de marketing extremamente agressivas e sedutoras e às facilidades de crédito quer das empresas industriais e de distribuição, quer do sistema financeiro.
As empresas já não perguntam o que é preciso para a humanidade mas como hão-de criar o hábito do consumo dum determinado produto. Este é o jogo de sedução do consumismo que tira do consumidor quase todos seus poderes de demandar os produtos do mercado. A incessante decepção de encontrar a felicidade no consumo leva a indústria sempre produzir lançamentos para trocar a insatisfação por uma nova necessidade importa é consumir para vender criando a sensação que a economia estabiliza e os recursos são inesgotáveis e as reparações começam a ser entregues a grandes superfícies económicas condicionando e desempregando as pequenas oficinas.  Impera um equilíbrio, estamos a ultrapassar limites, desde esgotar recursos a destruir o planeta. Impera uma acção junto da natureza criando postos de trabalho para a preservar e que a mesma fique com margem de regeneração, criar uma produção limpa onde os direitos dos trabalhadores sejam respeitados, um comércio justo, um consumo consciente, sendo os governos pelas pessoas e para as pessoas, criando uma sociedade que não desperdice recursos e pessoas, talvez consigamos assim uma sociedade com igualdade, equidade e oportunidade…
Pensem nisso  e vejam o filme que inspirou este post (vale a pena ver até ao fim...uma lição)

1 comentários:

PortoCalem disse...

Interesante ;)

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