D. Besouro e suas Formigas

Las historias de los niños ayudan a los niños a entender la realidad, pero la realidad es mucho más complicado que los cuentos infantiles.
The children's stories help children understand reality, but reality is much more complicated than children's tales.
Le storie dei bambini aiutano i bambini a capire la realtà, ma la realtà è molto più complicata di storie per bambini.
Les histoires des enfants aide les enfants à comprendre la réalité, mais la réalité est beaucoup plus compliqué que les contes pour enfants.


Os contos infantis servem muitas das vezes como aproximação entre as crianças e os adultos e na sua maioria ilustram à criança cenários imaginários que ilustram a realidade, deixo aqui um para os leitores deste blog relembrarem tempos de criança ou a sua actual realidade, vão com eles onde o vosso imaginário vos permitir:
Era uma vez no reino dos insectos uma pequena formiga que conjuntamente com as suas amigas, todos os dias, chegavam cedinho ao seu emprego onde executavam com dedicação e empenho todos os seu esforços no bom desempenho do seu trabalho. Eram umas formiguinhas produtivas, cujo trabalho as realizava e as fazia felizes.
Impondo-se pela força um gigante Besouro tomou o poder desse reino, enquanto reinava fascinava-o o trabalho das suas súbditas formigas. A força do respectivo trabalho sustentava quase em absoluto o reino e fornecia aos poucos excedentes que permitiam o comércio com outros reinos. Sentindo-se mais poderoso, o rei  Besouro, pensou: " Se as formigas sem supervisão produzem desta forma e enriquecem o meu reino, concerteza seriam ainda mais produtivas se fossem supervisionadas. Durante dias pensou em quem haveria de nomear para tal cargo, surgiu-lhe à ideia a sua boa amiga Barata a quem devia alguns favores e tanto mais que o seu filho andava perdido de amores pela filha. Criou então um ministério onde a sua amiga íria exercer e criou um salão digno da importância e da sua amizade.
A Barata ficou deveras agradecia por tão honrosa nomeação, por momentos deixou-se levar pela contemplação de tão luxuosos aposentos, todo revestido com os materiais mais preciosos importado doutros reinos. Para mostrar a sua gratidão preparou os mais belíssimos relatórios, pois tinha alguma experiência como supervisora, necessitando para isso de viajar por todo o reino e pelos reinos vizinhos para estabelecer comparações.
A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída das formigas. À medida que ía supervisando e colhendo informações a pobre da Barata cansada de tanto trabalho teve de pedir ao seu real amigo que lhe nomeasse uma secretária para ajudar a preparar os relatórios. Havia muitos pretendentes, mas a sua fiel amiga Aranha poderia ser uma boa aquisição tanto mais, ela estava numa situação melindrosa por causa das desavenças que tinha com a D. Mosca. A Aranha inicialmente era incansável na complementarização dos relatórios da D. Barata. Sua Alteza Real o Besouro ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões.
Apercebendo-se do cargo ocupado pela Aranha a D. Mosca foi falar com sua alteza o Besouro, fez-lhe ver que a Aranha era um elemento muito instável e poderia até conspirar contra qualquer insecto. Depos dum longo depoimento sua alteza real o Besouro percebeu a necessidade de ter alguém que fiscalizasse a evolução dos trabalhos e deu à D. Mosca o cargo de vigilância mas secretamente, para isso arranjou-lhe uns aposentos no alto do seu reino donde podia vigiar todos os súbditos com a obrigatoriedade de relatórios antes que o sol caia no Horizonte.
No ministério D. Barata e a D. Aranha andavam numa azáfama constante, a exigência dos relatórios era cada vez maior, já não havia tempo sequer para atender ostelefones que não paravam de tocar. D. Barata reclamava constantemente com a D. Moscas por algumas demoras. Exausta, esta última contrata uma secretária e a sua prima carraça desempenharia o cargo a seu gosto, podendo ela ter algum descanso se ela ficasse a organizar os arquivos e controlar as ligações telefónicas. Para aliciar a sua prima deu-lhe um gabinete e comprou-lhe um computador com impressora colorida. Por momentos a calma voltou ao ministério e a qualidade dos relatórios eram exemplo disso.
Do alto do reino, D. Mosca, nos seus voos apercebeu-se de alguma intranquilidade que havia no reino nomeadamente entre as formigas e relatou o facto a sua alteza real o Besouro, referindo que a formiga produtiva e feliz, começava a lamentar-se de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!
Sua Alteza Real concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma D. Cigarra, outra sua grande amiga e que tinha ficado muito melindrada pela nomeação da D. Barata para o cargo do ministério. E, não querendo ficar atrás mandou forrar dos melhores materiais as paredes do seu escritório e mandou colocar uma carpete no e comprar uma cadeira especial... A nova gestora D. Cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente, a pulga (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e o controlo do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava e cada vez ia ficando mais aborrecida e desmotivada.
A cigarra, então, convenceu a gerente D. Barata, que era preciso fazer um estudo do clima e nomearam a empresa do filha da D. Barata que necessitou formar quadros na área e pedir acessorias às empresas que contribuiram na construção dos gabinetes e nas obras do reino. Chegou-se à conclusão que eram necessárias novas vias de comunicação pois a demora estava na distribuição do produto de trabalho da formiga e solicitaram o respectivo financiamento a Sua Alteza.
Mas, sua Alteza Real o Besouro, ao rever as contas, deu-se conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou o D. Escorpião, um prestigiado consultor, muito famoso, para que fizesse um diagnóstico inciso da situação. D. Escorpião permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes, que concluía: Há muita gente a mais nas empresas do reino, é necessário cortar no vencimento e despedir alguns!!
D. Besouro reflectiu profundamente no assunto, relembrou todos os relatórios para tomar a medida mais justa para o seu reino que se afundava em dívidas porque já não tinha nada para exportar afim de pagar os luxos que importava. Depois dessa reflexão chegou à conclusão que a formiga era a causadora de todos estes gastos e a promotora de toda a situação, então seria necessário tomar medidas duras com elas: despedir uma boa parte delas e reduzir o salário às que ficassem. Sentiu-se como o rei Salomão do seu reino. Nessa mesma noite escreveu por seu punho tal decreto e para mostar a sua grandeza autorizou também a aquisição de materiais aos reinos vizinhos para uma nova pista de aterragem para moscas e melhores/maiores carreiros para que todos andassem rápido no seu reino. Enobrecido no seu gesto deitou-se e dormiu descansado pois cumprira de uma forma sábia o seu papel de líder.

Nessa noite as formiguinhas curtiam a fome e a insónia olhando o céu escuro, temendo que os próximos despertares do sol no horizonte trariam tempos tão negros quanto a noite...

É sempre dificíl e tenebroso assistir à queda dum império (reino, governança), por isso embalem-se na queda do Império mais suave, na voz de Vitorino, uma canção retirada do cancioneiro português:

3 comentários:

ern@zone disse...

Obrigada para colocar um tradutor no seu blog. Em holandês.
Porem prefiro ler em português. Mas em caso eu não entendo o assunto, agora eu posso traduzir o texto seu. Vou o colocar no meu blog também, obrigada. Beijos

academico disse...

É um bom post, hehe.

Miguel Silva disse...

Muito bom!
Coloquei-me imediatamente a seguinte questão: Quem sou eu? Um besouro ou uma formiga?
Claramente, este conto retrata a sociedade em que vivemos! Muitas vezes sedentos por (mais) poder e, completamente imbuídos pelos valores do capitalismo exacerbado, que nós formigas (mais ou menos) convictas, nos tornamos besouros sem grandes problemas em estabelecermos os nossos lobbies com as outras nossas amigas formigas.
Depois, é um ciclo vicioso que nos leva... onde nos tem levado!
Importa estarmos muito mais atentos e informados, analisando a fundo e sem preconceitos o que acontece à nossa volta, de forma por um lado, a não cairmos nas tentações dos besouros e por outro, não nos tornarmos formigas cegas incapazes de reivindicar melhores condições ou mudar os maus poderes instituídos.

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