Aldeias: Burgos do Povo

Les villages portugaises révèlent l'âme d'un peuple avec un esprit de découverte et de la lutte.
The Portuguese villages invite the entry of a bucolic and magic world.
Los pueblos portugueses reciben con los colores, olores y sabores que despiertan nuestros sentidos.
I sentimenti che producono un villaggio portoghese sono scritti nell'anima.


Passeios de aldeia na minha adolescência
Hoje um pouco em devaneio os meus pensamentos afastam-se de mim, repelo os tumultuosos pesares e detenho-me algures na minha tenra infância, de olhos fechados, recordo toda a vivência da ruralidade duma aldeia enterrada na Beira, bem perto da Serra da Estrela, isolada das grandes cidades cujos transportes públicos eram escassos ou mesmo ausentes, nalgumas das aldeias só se saía de lá a pé, de burro ou num carro de bois, este isolamento quase as obrigava a serem auto-suficientes em produtos alimentares através da pecuária e agricultura, a maioria delas sobreviveu com uma vida das mais duras privações, hoje com melhor conexidade ao mundo vão-se desertificando e casas onde morou gente são agora povoadas de silvas ou simplesmente de escombros que o tempo impôs pelo abandono em busca de novos horizontes para novas oportunidades ficando os velhos como testemunhos que vão morrendo na morte anunciada destas aldeias.

O ambiente rural foi durante muito tempo, e ainda hoje é, esquecido pelos poderes de decisão, obrigando estas pequenas comunidades a criar pequenas comunas onde o espírito de inter-ajuda era fulcral e o dinheiro nem sempre era o mais importante nas trocas de serviços e bens, algumas destacando-se e sido mesmo alvo de estudos para carreiras ou doutoramentos de universidade.

A vida nas aldeias era de muito trabalho, um trabalho quase de sobrevivência, a agricultura obedecia (tal como na maioria delas ainda hoje), a uma agricultura empírica, artesanal onde as próprias alfaias tinham a força motriz de animais. Nas terras mais férteis, nas margens do rio e das ribeiras que para ele confluíam, cultivavam o milho, com o qual faziam o pão (broa) e o centeio, mas em pequenas quantidades já podia ser semeado nas encostas da serra. Era muito raro alguém cultivar trigo. O pão de trigo só se comia nas festas ou quando alguém o trazia da vila ou da cidade. No meio do milho, plantava-se o feijão, a abóbora e por vezes a melancia e o melão. Nas barrocas, onde houvesse alguma fonte, localizavam-se as hortas, onde se cultivavam todas as espécies de vegetais, havendo sempre a reserva dum espaço para a batata ou feijão e alguns frutos, tendo também a vinha um lugar de destaque.

Hoje a desertificação dessas aldeias revelam a amnésia que a geração actual tem com o espaço rural, estas aldeias estão assim vaticinadas para os velhos que nunca saíram delas ou os que as saudades da terra os fez voltar ou ainda para os mais abastados que as usam como pequenos monopólios/coutos e as desvirtualizam com projectos turísticos desenquadrados e frequentam-nas apenas por espaços curtos de tempo ou sazonais incapazes de as recuperar na sua essência. Sendo Portugal um país rural, com uma área agrícola considerável e com características climatéricas e de solo para um grau de qualidade de excelência para produção dum elevado número de produtos agrícolas é de lamentar a falta de interesse e apoio que a agricultura tem nomeadamente com o pequeno agricultor.


Estudos sociológicos têm revelado o empobrecimento progressivo dos agricultores e em particular destes pequenos agricultores que se mantiveram nas suas aldeias. Nas amostragens que se usaram para o estudo revela que em termos de rendimentos estariam muito abaixo do rendimento médio do país e só não estão mais abaixo porque no agregado há sempre pelo menos um elemento a trabalhar em actividades que não a agricultura. Talvez assim se compreenda o alheamento da classe média portuguesa relativamente a essa actividade, a esmagadora maioria da classe média não pretende desenvolver qualquer actividade agrícola ou qualquer regresso ao campo a não ser numas férias de turismo rural ou em passeios dominicais. Podem até nesses períodos enaltecer: os sabores, a calma, os cheiros da vida bucólica mas o regresso e a entrada no mundo urbano facilmente os fazem esquecer imiscuindo-se no ideal económico dos burgueses ou seja na selva do consumo e ter o indispensável para pagar a execução “trabalhos menores” e para eles o campo é um exílio ou espécie de sepultura saudável. Vêem a vida rural irrelevante e dura, pensam: levantam-se cedo porque têm muito que fazer e deitam-se cedo porque têm muito pouco que pensar. Tal como os pólos de decisão refugiam-se entre o betão dos seus apartamentos sentindo a liberdade plena como do cão preso de dia e solto à noite. O tempo vai atravessando os tempos e as aldeias podem correr o risco de serem memórias do tempo, num tempo em que o seu desenvolvimento e recuperação equilibrada poderia aportar mais valias essenciais para os tempos que correm e a outros tempos que o tempo trará.

Com este meu devaneio convido-vos a mais um safari fotográfico, a uma aldeia do Minho, a norte de Portugal, a aldeia do Soajo, famosa pelo vasto conjunto de espigueiros erigidos sobre uma enorme laje granítica, usada pelo povo como eira comunitária. O mais antigo data de 1782. Estes monumentos de granito foram construídos na altura em que se incrementou o cultivo do milho e serviam para proteger o cereal das intempéries e dos animais roedores. As suas paredes são fendidas para que o ar circule através das espigas empilhadas. No topo são geralmente rematados por uma cruz, que significa a invocação divina para a protecção dos cereais. Parte destes espigueiros são ainda hoje utilizados pelas gentes da terra.

É um passeio agradável, bucólico, mas penso que valerá a pena espreguiçar o olhar por estas terras da serra, e sentirmos que a morte desta ou doutras aldeias seria um pouco a morte da nossa identidade como país e povo.

Pensem nisso
A caminho com os olhos na estrada e na paisagem


Tudo pode aparecer na estrada





O casario espalha-se pela serra

 
A aldeia do Soajo desponta


Surgem os espigueiros














Assim por estas terras lusas cercas da Galiza, podemos regressar a casa por entre verdes campos, ouvindo a música de José Afonso do poema de Camões: Verdes são os campos.


6 comentários:

Simplemente yo. disse...

Hola!
Quiero pedirte un favor, somos un grupo de 10 personas que trabajamos con vinos, vi tu blogg y no si tu me podrias dar tips. Queremos viajar al Valle de Douro y llegar hasta La Rivera del Duero en España (visitando solo viñedos y producentes). sabes y como es la mejor manera de viajar por los alredores, pensamos alquilar uno o dos coches y manejar, pero son las distancias muy largas?,crees que sera pesado?, es mejor volar a Porto? o mejor volar a Madrid?. Nosotros venimos de Nuruega.
Mira no queremos sentarnos muchas horas en un coche. pero queremos visitar lo mas que podamos.
Espero me puedas ayudar con esto, si puedes me escribes si?
yanetoc@yahoo.com

Isabel disse...

Antonio, artigo muito bom! as fotos são grandes
o prazer de ler para você

très bon article Antonio! les photos sont superbes
je viens de mettre un nouveau post sur mon blogue, je recommencerai à être plus assidue....je pense que tu aimeras ma photo

au plaisir de te lire :-))
bises, Isabel
http://passionne-de-la-vie.blogspot.com/

academico disse...

As fotos são muito fixes!

julio e. disse...

amigo veiga: aca estoy de regreso,interesante el analisis del estado de las comunidades rurales.
esta situacion se va repitiendo a lo largo del mundo.
la vida en el campo se ve relegada por las grandes urbes donde genralmente los lazos del individuo con su entorno y sus pares se van desvaneciendo.

la belleza de esos lugares sin embargo se mantiene a pesar de los pesares.
un abrazo

cathoune disse...

Coucou Antonio
la promenade que tu viens de nous faire partager est superbe - tout d'abord, la ruralité - eh oui, la plupart des villages isolés ont été abandonnés pour diverses causes, il fallait de meilleures conditions de vie, il fallait aller chercher du travail à la ville... la désertification a fait mourir certains lieux charmants où il faisait bon vivre...
Mon mari a connu cela aussi en Espagne (Extremadura) quand il était enfant... ils allaient à dos d'âne, ces grands parents étaient des agriculteurs...c'était une vie particulière faite de labeurs, mais on vivait au fond pas plus mal, et les gens étaient moins stressés, c'était une autre époque...
Maintenant, on vit de façon différente, mais tu remarqueras, que les gens, de plus en plus, sont en train de faire un retour à la campagne... je pense que dans l'avenir, la tendance pourrait s'inverser, car avec la crise, le chômage, la surpopulation, la vie harassante, et bien on vivra mieux et plus simplement dans les campagnes... ceux qui auront un jardin arriveront toujours à se nourrir, c'est du moins, ce que m'ont dit des gens que j'ai rencontré en Espagne profonde, ils m'ont dit - avant on n'avait rien, alors maintenant, on est pas plus malheureux, on se débrouille, il y a autant de boulot en campagne que dans les villes, ne serait ce que les travaux des chammps...
Sinon, tes paysages sont magnifiques, ça donne envie de visiter... les cimetières sont bizarres, j'avais jamais vu des tombes comme ça, perchées sur des roches....
"Au moins - "ils 'ont la paix... rien ne vient troubler leur repos éternel"....
Les vaches qui circulent comme ça, n'importe où sur les routes, ça m'a rappelé la Corse...
BISOUS ANTONIO et aussi le bonjour à ta famille....

As tu reçu mes cartes postales ??
CATHY

cathoune disse...

sympa ta vidéo - j'ai bien aimé...
c'est calme et reposant...
gros bisous
cathy

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