
Celebrar o 25 de Abril não é dividir, pelo contrário é unir
num momento muito importante para o país, uma data que nos une em algo comum,
na celebração não de um dia, mas de décadas de luta antifascista e pela
liberdade. Dividir pretendem aqueles, curiosamente que nunca foram entusiastas
da comemoração de abril e, incentivam num populismo demagogo neste tempo de exceção,
tirar proveito de contaminação ideológica. É uma posição muito fácil de
defender perante uma sociedade alarmada, receosa do presente e com medo do
futuro, contudo o que é exigido aos partidos é que transmitam outra coisa à
população, uma sensação de confiança para estes e para os tempos vindouros.
À medida que a pandemia progride compreende-se e admite-se a
importância do trabalho e dos trabalhadores como a real fonte de riqueza dum
país (um despertar tardio) e ninguém desta vez lha pode imputar. Este momento
de crise como a que vivemos está longe de ser uma crise convencional, tem
exposto os efeitos tóxicos do sistema que domina há já longo tempo todos os
aspetos das nossas sociedades. o neoliberalismo, como ideologia económica
inserida no capitalismo, tem causado a depleção dos serviços públicos; tem
transformado o ensino e os cuidados de saúde em negócios que visam o lucro; tem
permitido o açambarcamento de lucros à custa da desvalorização profissional e
salarial dos trabalhadores; tem favorecido a lucratividade de um mundo
militarizado por contraposição à promoção da segurança humana e do bem-estar
social e tem agravado as desigualdades entre as pessoas e os países.
Efetivamente foi um golpe violento no paradigma neoliberal e na globalização
económica desenfreada, onde se perfazia como ideário exacerbante do
individualismo, desfazendo, lentamente, os laços de solidariedade capazes de
assegurar coesão ao tecido social numa teia de relações construídas por
heterogéneas realidades. Durante décadas temos sido bombardeados com a
narrativa sobre a ineficiência das instituições públicas e a sua alegada
incapacidade para fornecer serviços de forma eficiente, racional e rentável.
Basta pensarmos os ataques que se fizeram ao SNS, desguarnecido e desprovido de
meios, para benefício do Sector privado da Saúde. Apesar disso, nesta crise, O
Sistema Nacional de Saúde, uma das conquistas de Abril, tem correspondido à
gravidade destes tempos, dando o exemplo de como um SNS público é essencial
para responder às necessidades normais ou excecionais deste país. A saúde
estará sempre em primeiro lugar e tudo devemos fazer para controlar a pandemia
e evitar que mais compatriotas morram vítimas deste vírus. No entanto, é
importante não esquecer que vivemos num estado democrático e que nenhum estado
de exceção vale a amputação da nossa liberdade coletiva.
Assim impera a capacidade de reinventar o presente e o
futuro, como tempo propício à revitalização da economia, à construção de
relações sociais menos desiguais e ao cumprimento de expectativas civilizacionais,
que nos fortalecerão enquanto país unido por vínculos de solidariedade, num
conjunto no qual o Estado Social tem um papel imprescindível e isso será
continuar os ideais que 25 abril de 1974 iniciou.
Pensem nisso!
Viva o 25 Abril!
Viva Portugal!