Madeira: A pérola do Atlântico


Madeira island is 310 miles from the African coast and 620 miles from the European continent, which is the equivalent of a 1 hour 30 minute flight from Lisbon. Today, paying tribute to one of the most beautiful places in Portugal, I invite you to tour the island of Madeira who recently suffered considerable damage by bad weather, but still is a beautiful place to visit



Aujourd'hui, en rendant hommage à l'un des endroits les plus magnifiques du Portugal, je vous invite à visiter l'île de Madeira, qui a récemment subi des dommages considérables par le mauvais temps. Madeira va célébrer le Printemps avec l’exubérante floraison qui caractérise l'ille dans cette époque, la ville de Funchal accueille une fois de plus ce somptueux spectacle, aussi bien au niveau visuel comme de l'odorat: la fête de la Fleur en Abril, mais avant venez faire avec moi une petite promenade en photo.



Hoy en día, rindiendo homenaje a uno de los lugares más bellos de Portugal, los invito a recorrer la isla de Madeira, que recientemente sufrieron daños considerables por el mal tiempo, pero todavía es un lugar bello para visitar.

Oggi, rendendo omaggio ad uno dei luoghi più belli del Portogallo, vi invito a visitare la isola di Madeira che di recente ha subito notevoli danni dal maltempo, ma è ancora un posto bello da visitare

Hoje, vou devanear em viagem e prestar a minha modesta homenagem a um dos locais bonitos de Portugal: a ilha Madeira. E, prometo que não vou conjecturar sobre governo da Madeira, recebendo mais dinheiro que o governo dos Açores, apesar de terem menos 7 ilhas,  ou zonas do interior, e não foi capaz de desenvolver um plano de ordenamento urbanístico que levasse em linha de conta as cheias provocadas por chuvas intensas. Os interesses dos empreiteiros levaram a melhor: construíram-se hotéis, campos de futebol, campos de treino, casas e outros investimentos privados junto, e em cima, do leito das ribeiras. Esta é a obra que o Alberto João Jardim deixa ao país e em especial à Madeira, um local que já foi ainda mais pardisíaco. Como sabem, em 20 de Fevereiro de 2010 um forte temporal causou inundações e deslizamento de terras, provocando pelo menos 48 mortos e cerca de 250 feridos. Os concelhos mais afectados foram o Funchal e Ribeira Brava, onde várias pontes ruíram e estradas e caminhos cederam ou foram levados pelas águas. No Funchal as três maiores ribeiras transbordaram, causando grande destruição. Várias residências ficaram soterradas por deslizamentos, e a capela de Nossa Senhora da Conceição, no Monte, foi levada pelas águas. O balanço das vítimas e estragos causados por esta aluvião é dum prejuízo enorme, mas a Madeira contínua a se um local bonito para visitar, é uma ilha de flores, um autêntico jardim, daí o meu convite para um passeio nestas paragens, pois vale a pena, ora vejam este pequeno apanhado fotográfico, em jeito de passeio, mas longe de ilustrar a sua beleza:
 








 






Madeira
Surgidas das entranhas de Vulcano,
Elevam-se das ondas do oceano
- Encostas bordejadas por levadas -
Montanhas, que constrastam a beleza
Agreste, que lhes deu a Natureza,
Com flores, por socalcos derramadas.
.
Milénios são passados, desde os tempos
Que contam que, fugindo aos seus tormentos,
Os deuses se escondiam muitas vezes.
Por certo procuravam nestas ilhas
- Cercados por imensas maravilhas -
Carpir, ou lamentar os seus revéses.
.
Talvez por isso Ulisses navegasse
Num rumo, que ao Olimpo o transportasse,
Além do mar sem fim, a todo o pano;
Mas fora, por Destino, já traçado,
Ser este paraíso reservado
A povo mais ilustre. O Lusitano!
.
Assim, ao ser chegada a sua hora,
Os deuses resolveram ir embora
Fazendo aos portugueses o legado.
Por cá, ouvem-se agora serenatas
Cantadas, em levadas e cascatas,
Por ninfas, em dolentes tons de fado.

Vítor Cintra
















Espero que o passeio fotogáfico tenha sido agradável, pois irei de quando em vez, dar outros passeios fotogáficos noutras regiões deste pequeno país, que apesar de andar tão triste, tem muito de belo para mostrar.

António Veiga

Sou...

Who am I?   ¿Quién soy yo?
Qui suis-je?   Chi sono io?

No incunábulo
da minha existência,
algures num retábulo,
espraio olhares no passado
buscando evidência,
revejo a identidade
que resta da idade.

Sou ...
o que fui e não quis
e o que quis e não fui,
do que na vida aflui
do que fiz e não fiz!

Sou...
a contradição do querer,
a esperança do alcançar,
numa mente a bordejar
a saudade a conter,
do efebo que fui
e que o tempo dilui

Sou ...
parte do tudo,
uma sombra sólida,
provida no conteúdo
projectada num sopor
na agonia do supor.

Sou...
fragmentos de vida,
pedaços feitos de nadas,
de horas paradas
na timidez do querer
na força do crer,
nos amores desencontrados
perdidos e não achados,

Sou...
a expetactiva que aguarda,
um caminho incerto no rumo,
embocado na mansarda
numa cela abafada,
numa vida de consumo
em que tudo não vale nada!...

Sou...
as lágrimas da tempestade
com o choro de trovão
vociferando autoridade,
beneplácito de vivências
alimária de sentimentos,
que mesmo nas ausências
entrega o coração.

Sou...
neste carrocel
a letra da palavra
na luta com os saripantas,
que num aranzel
desenha frases
em línguas imaginárias
arrastando-me ignoto
num mundo remoto...


Sou...
o amargo da vida,
o bafejo da sorte,
da chegada e partida
o fraco e o forte.

Sou...
som de madrigais,
entre sorrisos
de Primavera,
perdido em paraísos
alados de cores
num extâse de quimera
potenciam os amores.

Sou...
a voz do coro
dos pássaros
que não cantam
mas existem
que prantam
nos reparos
sem decoro.

Sou...
o Homem que é
carente do tagaté,
do sorriso rasgado
ou do olhar profundo,
do amar e ser amado
na volúpia da sensação
entregue a esse mundo
num enlace da paixão,
tão rubro como um dia de Verão!

Sou...
só, cheio de amigos,
acompanhado de solidão
vou descurando abrigos.
Sou o que existe de mais real
Mas que é feito de ilusão
e ferrabrás no ideal.

Sou ...
a força do sentimento
que coíbe o pensamento
um coração que fala
numa cabeça que cala.

Sou...
a folha dourada
que cai sem retorno
da árvore desnudada
nos frios do Outono

Sou...
o gelo ou o vento
o escuro da noite.
em pleno desalento
com indecência
que apócritos exalam
e me invernizam
a existência!...

Sou...Simplesmente eu!...
gerado no fulgor,
parido na dor,
embalado na vida
que o tempo consome.
Certo da partida
e sem final marcado
Sou: Um simples Homem
cumprindo um fado

António Veiga

Forças da Natureza

Les politiciens et les gouvernements locaux ont la responsabilité importante d'examiner et de proposer des améliorations au développement des villes, basée sur des solutions techniques dans le but d'une meilleure application de la trésorerie afin de les insérer correctement.
Los políticos y los gobiernos locales tienen la importante responsabilidad de examinar y proponer mejoras para el desarrollo de las ciudades, sobre la base de las soluciones técnicas con el objetivo de mejorar la aplicación de la tesorería a fin de insertar de manera adecuada, la aplicación y las necesidades de mantenimiento de la población .
Politicians and local government have the important responsibility to reflect and propose improvements to the development of cities.
Politici e amministrazioni locali hanno l'importante responsabilità di riflettere e proporre miglioramenti per lo sviluppo delle città.

Nos últimos tempos a Natureza tem mostrado a sua força talvez na perspectiva de reestruturar a sua ciclicidade que o Homem sob qualquer preço ou pretexto vai adulterando. Os fenómenos Naturais têm posto a nu a incapacidade do Homem para defrontar as forças da Natureza e erros crassos como a falta de respeito por regras elementares têm tido como causas perdas de vidas Humanas. A proliferação do ser Humano em todos os habitats levou a que se irrompe duma forma irracional e nada programada. Este crescimento provocou nas cidades, que não estavam preparadas para isto, o acúmulo de infinidades de problemas.

A expansão demográfica desenfreada unida à ausência de planeamento para receber esta expansão, reflectiu-se em consequente ampliação do perímetro urbano das cidades. Estas, na maioria das vezes, não possuíam legislações específicas para absorver este crescimento e não estavam preparadas para o aumento da densidade populacional na ocupação do solo, vindo a acarretar profundas modificações sociais e estruturais no espaço urbano. No planeamento das cidades deve-se levar em consideração a grande diversidade que existem entre elas e a sua dinamicidade, uma vez que apresentam modificações que acompanham a evolução social e a modernidade. Cada cidade apresenta características próprias, advindas da sua origem, que também precisam ser consideradas na gestão das mesmas. As cidades foram nascendo face aos seus recursos naturais e para Vizela, o rio e as Termas estiveram na sua origem. Assim virarmos as costas ao rio ou simplesmente fechar as portas às Termas contribui-se duma forma avassaladora para o seu empobrecimento.

Entre os diferentes factores a serem analisados no plano director podem-se citar o uso do solo urbano, código de obras, código de posturas, estudo de impactos ambientais e de vizinhança, equipamentos urbanos comunitários, entre outros, e procurar respeitar a paisagem inicial. Construir sob leitos de cheia, invadir as margens ou cortar linhas de água pode-se estar a hipotecar o futuro. Os políticos e o poder autárquico têm a grande tarefa de reflectir e propor melhorias para o desenvolvimento das cidades, baseados em soluções técnicas e com o objectivo da melhor aplicação do erário, de modo a inserir nelas, adequadamente, a implementação e a manutenção das necessidades da população. Urge um trabalho de gestão urbana profissional e consciente, capaz de transpor a discussão do nível de preocupações e vontades pessoais para a de preservação da qualidade de vida de toda a sociedade, a função da autarquia é colocar o interesse comum acima do interesse individual ou sectário.

Qualquer cidade e em particular Vizela será a síntese real do pensar e do agir em cada momento de seus decisores (poder) e dos seus habitantes. Ao se fazer a cidade, a trama urbana que a compõe e a identifica vai se alterando conforme o modo de vida de sua população, nas suas expectativas e desejos. Estas mudanças além de exercerem substanciais influências na vida socioeconómica da comunidade, influenciam também no seu sistema de trânsito e transporte, na ampliação necessária da quantidade de equipamentos urbanos comunitários, nos custos da urbanização e no meio ambiente, à qual se deve dar mais relevo. Pois, a Natureza mais cedo ou mais tarde mostra a sua força para cumprir a sua ciclicidade e tentar repor o equilíbrio. O exemplo recente da Madeira evidencia-o. Vizela, não se tem salvaguardado convenientemente quando fecha os olhos para a abusiva construção nas margens do rio ou nas suas linhas de água. Uma terra não é mais rica por ter grandes empreendimentos a ofuscar e a adulterar paisagens mas sim quando em conjunto as harmonizam.

Pensem nisso

António Veiga

As Hidras no Poder

Financial speculation is at the heart of the current crisis and time will prove that financial institutions and neo-capitalism will eventually take the most advantage over the ordinary citizen
La spéculation financière est au coeur de la crise actuelle et le temps prouvera que les institutions financières et le néo-capitalisme finira par prendre l'avantage sur la plupart des citoyens ordinaires: les sacrifiés de toujours-
La especulación financiera está en el corazón de la crisis actual y el tiempo demostrará que las instituciones financieras y el neo-capitalismo eventualmente llevará la mayoría de ventaja sobre el ciudadano común: el sacrificiado de la costumbre.
La speculazione finanziaria è al centro della crisi attuale e il tempo dimostrerà che le istituzioni finanziarie e neo-capitalismo finirà per prendere il massimo vantaggio sul cittadino comune

Hoje é dia da mulher, e como tal é exigido uma reflexão à segregação e diferença de trato que as mesmas estão sujeitas pelo mundo, facto que devia envergonhar o Homem, e o argumento, gasto e falso. que elas são mais fracas ou menos competentes  apenas possível em mentes devassas.  O mundo vive cada vez mais das mentiras paridas do dia a dia dos poderes políticos e económicos dominantes. Basta pensarmos nos escândalos que imperam nas notícias, revelando o grau de susceptibilidade que os mesmos se influenciam expondo que cada vez mais o poder económico subjuga o político e sendo os lugares de decisão do económico refugo para políticos. A especulação financeira, está no cerne da actual crise e o tempo provará que as instituições financeiras e o neo-capitalismo acabarão por se os mais beneficiados em detrimento do vulgar cidadão: os sacrificados do costume. A conivência das instituições financeiras com o poder político ajudou a arrastar a Grécia, e Portugal será que ruma seguramente? As últimas notícias têm desacreditado o Governo Português, e em particular o primeiro ministro que se vitimiza da comunicação social e dos jornalistas ficando cada vez mais jargão e solipso. O facto é que os poderes instituídos em Portugal comportam-se, tipo Hidra, raramente metazoário celenterado mas antes serpente monstro, pois o primeiro alimenta-se de peixes pequenos enquanto o outro come tudo para saciar o seu apetite devorador, a quem a comunicação social lhes serviu, como hidróides, para atraírem as vítimas distraídas, qual canto fatal das sereias com o seu aranzel levando a um sopor das massas. Por isso, a tentação de controlar, para orientar a satisfação da sua gula, transformando-se num polvo gigante, esse cefalópode, que usa os tentáculos, para abraçar as vítimas depois de as cegar com o líquido que transporta na bolsa e as tornar em alimárias. De modo semelhante, os senhores do dinheiro, investem na captura de serviços públicos, através dos infiltrados, que sustentam em tempos de campanhas, para capturarem as presas cegas, rentabilizando o capital investido, sem se preocuparem com a qualidade do que produzem ou fornecem mas com o lucro.

Assim vai o país, mas não será um dejá vu de Vizela, onde a liberdade de imprensa era uma ameaça aos poderes instituídos, autênticos sacripantas e se dava preferências institucionais a órgãos de comunicação e quantas vozes dos agora tão críticas se silenciaram revelando ser autêntico beneplácito. A liberdade de expressão é sempre uma arma da democracia, não sendo a única. Será impensável um mundo actual sem informação mas pior é com informação controlada cujo objectivo primordial é manipulação. A manipulação tem sempre a limitação de horizontes e se centrada numa só pessoa ou interesse mais limitada e perigosa se torna. A liberdade de expressão para o ser realmente deve ser uma expressão da liberdade. Não se é mais democrata quando se ouve muito e que se dê às palavras uma elasticidade proporcional ao seu não-significado, permitindo que coisas completamente diferentes se tornem sinónimas aos olhos das massas, ao mesmo tempo que não designam em si mesmo nada de concreto.

Pensem nisso

António Veiga

Aveiro: A veneza Portuguesa

Aveiro, la Venise portugaise, est un pays qui réveille les 5 sens pour sa beauté et convivialité
Aveiro, la Venecia de Portugal, es una tierra que despierta los 5 sentidos por su belleza y simpatía
Aveiro, la Venezia portoghese, è una terra che risveglia i 5 sensi per la sua bellezza ed amicizia
Aveiro, the Portuguese Venice, is a land that awakes the 5 senses for its beauty and friendliness

O agitar social e político dos últimos tempos leva à necessidade de um certo relaxar (nunca desarmar), fica assim uma sugestão aos que se cruzam neste blog para um passeio numa bonita cidade portuguesa: Aveiro, que vulgarmente se chama a Veneza Portuguesa. Uma cidade abraçada pelo mar na sua ria e que as suas ruas cruzadas com barcos, dão um certo ar romântico, no entanto rico também em cultura nas suas diferentes vertentes desde a arquitectura, à pintura até à ciência através dos seus museus e património e com particualr destaque para a afábrica da ciência um museu inter-activo e dinâmico. Então venham daí a este passeio fotográfico virtual:








Ria de Aveiro

Não podes secar
Deixa-me primeiro
Atravessar.
Sei que alguém
me espera na outra margem
Sei que vem
não é apenas uma miragem.

Deixa-me nadar
até ao meu destino
não me permitas afogar
a meio do caminho.
Pois sei que alguém me espera
e, quem me dera,
que sejas tu que não esqueço
tu por quem não esmoreço.
Que o sol não te faça desaparecer,
que a lua não te leve para longe de mim,
que o nevoeiro não me impeça de te ver,
que a chuva pare de cair, enfim.

Que a gente se encontre a meio da ria,
que o nosso calor aqueça a água fria,
mostremos a todo o mundo que nos amamos,
enquanto a meio da ria dançamos.

Autor Desconhecido














Aveiro também se canta noutras línguas enaltecendo a sua beleza singela no entanto genuína:

Aveiro, sueños húmedos de sal
recorren tus calles,
avenidas de sombras moliceiras
que tejen y destejen
un teatro de luz sobre las aguas;
rumor de estatuas que mece el viento
entre renglones cortos de mar
y gaviotas que lloran fados
con ojos de góndola solitaria.

Sobre tus puentes trazó el amor
un retrato azul de adolescencia,
viejo carnaval de azulejos desteñidos
que no es capaz de borrar el tiempo
y permanece anclado como un tapiz,
con hélices de luna, en ese féretro
tierno de canales que alumbra
cada noche la soledad del corazón.

Fernando Luis Pérez Poza







 






Espero que o passeio tenha sido agradável. Aveiro é assim um local a visitar não só pela sua paisagem que desperta os 5 sentidos, desde a beleza natural das suas paisagens, aos cheiros da cidade, aos sabores da sua gastronomia, aos sons relaxantes da sua ria e mar e à sensibilidade das suas gentes e povo, vale a pena dar um saltinho e fazer um despertar de sentidos.
Pensem nisso

O Sonho pensado a dois


Dreams pass into the reality of action. From the actions stems the dream again; and this interdependence produces the highest form of living.
On croit que les rêves, c'est fait pour se réaliser. C'est ça, le problème des rêves : c'est que c'est fait pour être rêvé.
Finchè non sapremo rincorrere i nostri sogni fino alla fine, non potremo definirci completamente liberi  perché nessun cuore ha mai provato sofferenza quando ha inseguito i propri sogni.
¿Qué es la vida? Un frenesí. ¿Qué es la vida? Una ilusión, una sombra, una ficción; y el mayor bien es pequeño; que toda la vida es sueño, y los sueños, sueños son.
Lancei um desafio a uma autora dum blog que sigo para fazermos um post em co-autoria, um pouco na tradição que já alguns autores o fizeram e ela aceitou. Não deixa de ser interessante o facto de física e ideologicamente estarmos em campos opostos, havendo um oceano a imenso a separar-nos e eu: agnóstico, republicano e marxista convicto e ela uma cristã fervorosa. Mas num mundo de sonho as pessoas independentemente dos seus credos ou ideias podem estabelecer relações de tertúlia interessantes. A diferença não deve separar mas sim complementar. Então criámos como centro dos nossos devaneios:  O Sonho.
Sonhe com aquilo que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passaram por suas vidas. (Clarice Lispector)
Todos sonhamos e queremos ser felizes... Em nossas famílias, brincamos, temos encantamentos e aprendemos a conviver com as alegrias da vida. Fazemos amigos, brincamos com os amigos... Surge então a necessidade de ter alguém para completar a nossa felicidade. Daí começamos a buscar alguém para dividir convosco nossos sonhos e planos. De forma ingénua – não muito raro – colocamos os nossos planos, a nossa felicidade nas mãos do outro. Projectamos o parceiro como o realizador maior dos nossos próprios sonhos e da nossa felicidade. Esquecemo-nos de que cada um de nós é responsável pela nossa qualidade de vida e temos nossa parcela de responsabilidade em nossos relacionamentos. Alguns de nós vivemos mais dos sonhos do que da realidade. É muito bom sonhar, sonhar junto, compartilhando...
Sonho que se sonha só, é apenas um sonho; sonho que se sonha junto, é uma realidade.
Rosarinha Bastos


O sonho é a bem dizer a essência da evolução humana, sendo transversal a todas as gerações. Os pensamentos são a parte plausível e mais palpável, os esboçados nos sonhos. Sonhar ´+e a capacidade de acreditar, daí que muitos pensadores tenham pago com a própria vida o facto de se atreverem a sonhar e a querer ter um sonho. Num período em que o globo está imergido em sofrimento quer pela destruição das forças da natureza ou pela dor provocada pela acção coerciva e repressiva dos homens, a capacidade de sonhar é a luz no fundo do túnel para almejar um Mundo melhor. Sonhar é acreditar no amanhã mais colorido, num mundo em harmonia de cores. Nunca se conseguirão prisões ou embargos para sonhadores porque nas asas dum sonho a liberdade é a brisa que o mantém e eles tornar-se-ão tanto mais reais quanto mais abrangentes e altruístas o forem. Se sonhássemos todas as noites a mesma coisa, ela afectar-nos-ia tanto como os objectos que vemos todos os dias. Todos podemos ter o sonho de ter um iate ou um barco de luxo, mas o sonho em si não é a posse porque a posse é efémera tal como a vida, que importa ter um barco de luxo se a existência do mesmo. Sonhar é acreditar, sonhar é um acto libertador mesmo quando passivamente se mantêm ofuscado do olhar como a água que corre entre as rochas e só muito mais à frente é que pode tirar a sede no fontanário. Se sonhássemos todas as noites que somos perseguidos por inimigos, e agitados por esses fantasmas penosos, e se passássemos todos os dias em diversas ocupações, como quando se faz uma viagem, sofrer-se-ia quase tanto como se isso fosse verdadeiro, e apreender-se-ia o dormir como se apreende o despertar. Os sonhos centrados numa pessoa são necessários como verdadeiras essências da existência e mesmo sobrevivência.
Mas sonhar fica mais além que querer, poder ou ter, o do homem do poder destrói-se pelo poder, o homem do dinheiro, pelo dinheiro, o subserviente pelo servir, o sequioso de prazer pela luxúria. Sonhar não é um acto isolado, mas sim social, se o homem fosse um ser único, não sonharia. Limitam-se em cercas os que sonham o provável, o legítimo e o próximo, do que dos que devaneiam sobre o longínquo e o estranho. Os que sonham grandemente, ou são doidos e acreditam no que sonham e são felizes, ou são devaneadores simples, para quem o devaneio é uma música da alma, que os embala sem lhes dizer nada. Mas o que sonha o possível tem a possibilidade real da verdadeira desilusão. O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das contingências do que acontece. Mas sonhar não se complementa em si mesmo, ele é apenas a fertilização do agir com base no acreditar.
Podemos indefinidamente sonhar com uma mulher idílica mas não passaremos de solitários se não conseguirmos uma que apesar de lacunar perante os nossos sonhos será com ela que partilhemos a capacidade de sonhar, pois vivemos uma vida, sonhamos com outra, mas a verdadeira é a que sonhamos. O fracasso é inerente ao sonho e não é a sua destruição. Luther King morreu almejando um sonho de igualdade, enquanto Gandhi morreu convicto que a paz seria a melhor solução par54a aproximar povos, ou Marx acreditava que um mundo igualitário permitiria um mundo mais justo. Nós somos do tecido de que são feitos os sonhos. Sonhar não é uma ilusão porque saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingir assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os ódios sabem a amores, e as coisas concretas a abstractas, e as abstractas a concretas. A irracionalidade e o despotismo arredam-nos da capacidade de sonhar, porque temos de acreditar no que almejamos.
Ardemos num incêndio de esperança, para que reste de nós uma lembrança, um fumo que sobe e não se apaga, e essa acendalha reside na capacidade de ser diferente numa igualdade de deveres e direitos transversal a todos os seres humanos. O homem é mais sincero e rico na desordem dos sonhos que na consciência unitária do raciocinador acordado, mas nós vivemos, neste vale de lágrimas, enquanto negamos o sonho e o tornamos inútil. O universo não é uma coisa limitada e a ordem que o rege não tem peias que, tolhendo-lhe os desígnios, a forcem a repetir noutro lugar qualquer o que já existe num dado lugar. Mesmo neste mundo, existem mais coisas que escapam ao nosso conhecimento do que aquelas que conhecemos e a ordem que os nossos olhos vêem na criação é a ordem que nós lá pusemos, qual fio num labirinto, para não nos perdermos. Esta perda de sentido acontece quando nos desviamos dos nossos sonhos e encarnamos nele a limitação dos nossos horizontes, daí que muitos sonhos se tenham desvanecido e adulterado no decorrer dos tempos. Todos os discípulos religiosos foram sonhadores desde Cristo, Maomé e Confúcio sonhavam com um mundo melhor mas as religiões foram redesenhadas pelo Homem servindo-se delas e em momentos da História tornaram-se castradoras deixando apenas na parte mítica e dogmática o explanar de sonhos, ou seja, o benefício visível do bem pode não ter compensação imediata mas tê-lo-á numa outra dimensão. Mas, as religiões na sua essência (mas nunca numa perspectiva fundamentalista), incentivam ao sonho com um mundo melhor.
O sonho perde-se algures no desígnio da existência contrapondo-se numa utopia, porém a sua real perda é quando na capacidade de sonhar de imiscuir sentimentos adversos como o egoísmo, a falta de liberdade, a passividade, o conformismo ou a descrença. Julgar-se-ia bem mais correctamente um homem por aquilo que ele sonha do que por aquilo que ele pensa. Por tudo isso vale a pena sonhar sem que nos deixemos isolar neles, pois tal como um vinho o prazer do seu sabor só é possível quando tomado em pequenos goles e não quando bebemos duma só vez toda a garrafa. Pois como dizia o poeta português António Gedeão: (...) sempre que o Homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos duma criança.

Vivemos, porque sonhamos. Sonhamos, logo existimos.



Pensem nisso
 
Home | Gallery | Tutorials | Freebies | About Us | Contact Us

Copyright © 2009 Devaneios de Vida |Designed by Templatemo |Converted to blogger by BloggerThemes.Net

Usage Rights

DesignBlog BloggerTheme comes under a Creative Commons License.This template is free of charge to create a personal blog.You can make changes to the templates to suit your needs.But You must keep the footer links Intact.