Aveiro: A veneza Portuguesa

Aveiro, la Venise portugaise, est un pays qui réveille les 5 sens pour sa beauté et convivialité
Aveiro, la Venecia de Portugal, es una tierra que despierta los 5 sentidos por su belleza y simpatía
Aveiro, la Venezia portoghese, è una terra che risveglia i 5 sensi per la sua bellezza ed amicizia
Aveiro, the Portuguese Venice, is a land that awakes the 5 senses for its beauty and friendliness

O agitar social e político dos últimos tempos leva à necessidade de um certo relaxar (nunca desarmar), fica assim uma sugestão aos que se cruzam neste blog para um passeio numa bonita cidade portuguesa: Aveiro, que vulgarmente se chama a Veneza Portuguesa. Uma cidade abraçada pelo mar na sua ria e que as suas ruas cruzadas com barcos, dão um certo ar romântico, no entanto rico também em cultura nas suas diferentes vertentes desde a arquitectura, à pintura até à ciência através dos seus museus e património e com particualr destaque para a afábrica da ciência um museu inter-activo e dinâmico. Então venham daí a este passeio fotográfico virtual:








Ria de Aveiro

Não podes secar
Deixa-me primeiro
Atravessar.
Sei que alguém
me espera na outra margem
Sei que vem
não é apenas uma miragem.

Deixa-me nadar
até ao meu destino
não me permitas afogar
a meio do caminho.
Pois sei que alguém me espera
e, quem me dera,
que sejas tu que não esqueço
tu por quem não esmoreço.
Que o sol não te faça desaparecer,
que a lua não te leve para longe de mim,
que o nevoeiro não me impeça de te ver,
que a chuva pare de cair, enfim.

Que a gente se encontre a meio da ria,
que o nosso calor aqueça a água fria,
mostremos a todo o mundo que nos amamos,
enquanto a meio da ria dançamos.

Autor Desconhecido














Aveiro também se canta noutras línguas enaltecendo a sua beleza singela no entanto genuína:

Aveiro, sueños húmedos de sal
recorren tus calles,
avenidas de sombras moliceiras
que tejen y destejen
un teatro de luz sobre las aguas;
rumor de estatuas que mece el viento
entre renglones cortos de mar
y gaviotas que lloran fados
con ojos de góndola solitaria.

Sobre tus puentes trazó el amor
un retrato azul de adolescencia,
viejo carnaval de azulejos desteñidos
que no es capaz de borrar el tiempo
y permanece anclado como un tapiz,
con hélices de luna, en ese féretro
tierno de canales que alumbra
cada noche la soledad del corazón.

Fernando Luis Pérez Poza







 






Espero que o passeio tenha sido agradável. Aveiro é assim um local a visitar não só pela sua paisagem que desperta os 5 sentidos, desde a beleza natural das suas paisagens, aos cheiros da cidade, aos sabores da sua gastronomia, aos sons relaxantes da sua ria e mar e à sensibilidade das suas gentes e povo, vale a pena dar um saltinho e fazer um despertar de sentidos.
Pensem nisso

O Sonho pensado a dois


Dreams pass into the reality of action. From the actions stems the dream again; and this interdependence produces the highest form of living.
On croit que les rêves, c'est fait pour se réaliser. C'est ça, le problème des rêves : c'est que c'est fait pour être rêvé.
Finchè non sapremo rincorrere i nostri sogni fino alla fine, non potremo definirci completamente liberi  perché nessun cuore ha mai provato sofferenza quando ha inseguito i propri sogni.
¿Qué es la vida? Un frenesí. ¿Qué es la vida? Una ilusión, una sombra, una ficción; y el mayor bien es pequeño; que toda la vida es sueño, y los sueños, sueños son.
Lancei um desafio a uma autora dum blog que sigo para fazermos um post em co-autoria, um pouco na tradição que já alguns autores o fizeram e ela aceitou. Não deixa de ser interessante o facto de física e ideologicamente estarmos em campos opostos, havendo um oceano a imenso a separar-nos e eu: agnóstico, republicano e marxista convicto e ela uma cristã fervorosa. Mas num mundo de sonho as pessoas independentemente dos seus credos ou ideias podem estabelecer relações de tertúlia interessantes. A diferença não deve separar mas sim complementar. Então criámos como centro dos nossos devaneios:  O Sonho.
Sonhe com aquilo que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passaram por suas vidas. (Clarice Lispector)
Todos sonhamos e queremos ser felizes... Em nossas famílias, brincamos, temos encantamentos e aprendemos a conviver com as alegrias da vida. Fazemos amigos, brincamos com os amigos... Surge então a necessidade de ter alguém para completar a nossa felicidade. Daí começamos a buscar alguém para dividir convosco nossos sonhos e planos. De forma ingénua – não muito raro – colocamos os nossos planos, a nossa felicidade nas mãos do outro. Projectamos o parceiro como o realizador maior dos nossos próprios sonhos e da nossa felicidade. Esquecemo-nos de que cada um de nós é responsável pela nossa qualidade de vida e temos nossa parcela de responsabilidade em nossos relacionamentos. Alguns de nós vivemos mais dos sonhos do que da realidade. É muito bom sonhar, sonhar junto, compartilhando...
Sonho que se sonha só, é apenas um sonho; sonho que se sonha junto, é uma realidade.
Rosarinha Bastos


O sonho é a bem dizer a essência da evolução humana, sendo transversal a todas as gerações. Os pensamentos são a parte plausível e mais palpável, os esboçados nos sonhos. Sonhar ´+e a capacidade de acreditar, daí que muitos pensadores tenham pago com a própria vida o facto de se atreverem a sonhar e a querer ter um sonho. Num período em que o globo está imergido em sofrimento quer pela destruição das forças da natureza ou pela dor provocada pela acção coerciva e repressiva dos homens, a capacidade de sonhar é a luz no fundo do túnel para almejar um Mundo melhor. Sonhar é acreditar no amanhã mais colorido, num mundo em harmonia de cores. Nunca se conseguirão prisões ou embargos para sonhadores porque nas asas dum sonho a liberdade é a brisa que o mantém e eles tornar-se-ão tanto mais reais quanto mais abrangentes e altruístas o forem. Se sonhássemos todas as noites a mesma coisa, ela afectar-nos-ia tanto como os objectos que vemos todos os dias. Todos podemos ter o sonho de ter um iate ou um barco de luxo, mas o sonho em si não é a posse porque a posse é efémera tal como a vida, que importa ter um barco de luxo se a existência do mesmo. Sonhar é acreditar, sonhar é um acto libertador mesmo quando passivamente se mantêm ofuscado do olhar como a água que corre entre as rochas e só muito mais à frente é que pode tirar a sede no fontanário. Se sonhássemos todas as noites que somos perseguidos por inimigos, e agitados por esses fantasmas penosos, e se passássemos todos os dias em diversas ocupações, como quando se faz uma viagem, sofrer-se-ia quase tanto como se isso fosse verdadeiro, e apreender-se-ia o dormir como se apreende o despertar. Os sonhos centrados numa pessoa são necessários como verdadeiras essências da existência e mesmo sobrevivência.
Mas sonhar fica mais além que querer, poder ou ter, o do homem do poder destrói-se pelo poder, o homem do dinheiro, pelo dinheiro, o subserviente pelo servir, o sequioso de prazer pela luxúria. Sonhar não é um acto isolado, mas sim social, se o homem fosse um ser único, não sonharia. Limitam-se em cercas os que sonham o provável, o legítimo e o próximo, do que dos que devaneiam sobre o longínquo e o estranho. Os que sonham grandemente, ou são doidos e acreditam no que sonham e são felizes, ou são devaneadores simples, para quem o devaneio é uma música da alma, que os embala sem lhes dizer nada. Mas o que sonha o possível tem a possibilidade real da verdadeira desilusão. O sonho que nos promete o impossível já nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o possível intromete-se com a própria vida e delega nela a sua solução. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das contingências do que acontece. Mas sonhar não se complementa em si mesmo, ele é apenas a fertilização do agir com base no acreditar.
Podemos indefinidamente sonhar com uma mulher idílica mas não passaremos de solitários se não conseguirmos uma que apesar de lacunar perante os nossos sonhos será com ela que partilhemos a capacidade de sonhar, pois vivemos uma vida, sonhamos com outra, mas a verdadeira é a que sonhamos. O fracasso é inerente ao sonho e não é a sua destruição. Luther King morreu almejando um sonho de igualdade, enquanto Gandhi morreu convicto que a paz seria a melhor solução par54a aproximar povos, ou Marx acreditava que um mundo igualitário permitiria um mundo mais justo. Nós somos do tecido de que são feitos os sonhos. Sonhar não é uma ilusão porque saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingir assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os ódios sabem a amores, e as coisas concretas a abstractas, e as abstractas a concretas. A irracionalidade e o despotismo arredam-nos da capacidade de sonhar, porque temos de acreditar no que almejamos.
Ardemos num incêndio de esperança, para que reste de nós uma lembrança, um fumo que sobe e não se apaga, e essa acendalha reside na capacidade de ser diferente numa igualdade de deveres e direitos transversal a todos os seres humanos. O homem é mais sincero e rico na desordem dos sonhos que na consciência unitária do raciocinador acordado, mas nós vivemos, neste vale de lágrimas, enquanto negamos o sonho e o tornamos inútil. O universo não é uma coisa limitada e a ordem que o rege não tem peias que, tolhendo-lhe os desígnios, a forcem a repetir noutro lugar qualquer o que já existe num dado lugar. Mesmo neste mundo, existem mais coisas que escapam ao nosso conhecimento do que aquelas que conhecemos e a ordem que os nossos olhos vêem na criação é a ordem que nós lá pusemos, qual fio num labirinto, para não nos perdermos. Esta perda de sentido acontece quando nos desviamos dos nossos sonhos e encarnamos nele a limitação dos nossos horizontes, daí que muitos sonhos se tenham desvanecido e adulterado no decorrer dos tempos. Todos os discípulos religiosos foram sonhadores desde Cristo, Maomé e Confúcio sonhavam com um mundo melhor mas as religiões foram redesenhadas pelo Homem servindo-se delas e em momentos da História tornaram-se castradoras deixando apenas na parte mítica e dogmática o explanar de sonhos, ou seja, o benefício visível do bem pode não ter compensação imediata mas tê-lo-á numa outra dimensão. Mas, as religiões na sua essência (mas nunca numa perspectiva fundamentalista), incentivam ao sonho com um mundo melhor.
O sonho perde-se algures no desígnio da existência contrapondo-se numa utopia, porém a sua real perda é quando na capacidade de sonhar de imiscuir sentimentos adversos como o egoísmo, a falta de liberdade, a passividade, o conformismo ou a descrença. Julgar-se-ia bem mais correctamente um homem por aquilo que ele sonha do que por aquilo que ele pensa. Por tudo isso vale a pena sonhar sem que nos deixemos isolar neles, pois tal como um vinho o prazer do seu sabor só é possível quando tomado em pequenos goles e não quando bebemos duma só vez toda a garrafa. Pois como dizia o poeta português António Gedeão: (...) sempre que o Homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos duma criança.

Vivemos, porque sonhamos. Sonhamos, logo existimos.



Pensem nisso

As palavras

las palabras son como puñales
les mots sont comme des dagues
les paroles sono come pugnali
words are like daggers

São como cristal,

as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.


Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.


Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz

e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.



Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?




Eugénio de Andrade


Horizontes diários

Landscapes from my window
C'est ce que je vois de ma fenêtre, mes horizons du quotidien
Paisajes desde mi ventana
Questo è quello che vedo dalla mia finestra
 
As fotos deste post são a minha paisagem do dia a dia:



Hoje subi além do azul dos montes,
A procurar sonhos e alegrias infinitas
perdidos e achados algures na vida
esboçados por estes horizontes...

No céu, perdi o olhar em desalento,
que aos poucos vai crescendo, crescendo...
perdido no tudo e no nada em sustendo,
Planando, suave e manso como um vento...

Entre uma cortina espessa de fumaça
E de toda poluição que a vista embaça
Numa tentativa vã, tenta me alcançar.

Ave que sou, abro as asas entre o nevoeiro
num sopro desfaço amarras de prisioneiro,
para rebelde e livre pela natureza voar

António Veiga, in Poemas completos



Olho o horizonte da minha janela
as imagens não fazem sentido,
nos meus sentidos.
são imagens repetidas
da vida...

Apenas em pequenos instantes,
meu olhar ébrio de vontades
viaja no infinito
em busca do belo
e a beleza mora
aqui tão perto,
 frente à minha janela!...

António Veiga, in Poemas completos


Profitez et venez faire un tour par ici, je serais votre guide!
Venite a visitare il Portogallo questo, sarò la tua guida
Disfrute y vienen a dar un paseo por aquí
Enjoy and come walking through these landscapes
Aproveitem e venham dar uma volta por cá, eu farei companhiia
Pensateci
Think about
Pensez-y
Pensem nisso

Desilusões e desabafos

Épanchements d'un pays et des gens que j'aime, mais avec des politiciens qui me déçoivent
Sfoghi di un paese che amo, ma con i politici che mi delude
Desabafos de un país que amo, pero con los políticos que me defraudó
Outpourings of a country that I love, but with the politicians who let me down
Estou farto. Farto da areia nos olhos, das intrigas políticas, do carnaval dos políticos, do povo representado no Zé povinho e guiado autistamente por Zé Sócrates, dos casos manhosos isto e aquilo, estou farto que toda a gente gaste tinta e tempo a discutir tricas e coisas que não adiantam nada, estou farto de ver atirar com areia nos olhos a pessoas que os deveriam ter bem abertos, caírem nessas esparrelas, produzirem ruído até à exaustão sobre assuntos que provavelmente não interessam, não contam e não adiantam. Quase oiço daqui as gargalhadas de quem vai manobrando a sociedade desta forma tão hábil, a desviar o trânsito para as cenas que interessam ao povo seguidor de novelas e neste momento, começo a temer o cozinhar duma qualquer maioria absoluta. Assim vejo o meu país: um estado primordial, primitivo do mundo: um Caos, uma forma vaga, indefinível, indescritível, rudimentar . Um país onde os poderes instituídos pariram e acarinharam o caos, criando um destino quase negro, preocupando-se em fecundar uma maioria a qualquer preço ou sobre qualquer pretexto.

Neste destino de caos pouco importa se partidários do PS (não são socialistas), afinal eles são sociais democratas e praticam política semelhante à do PSD que se intitula de social democrata quando afinal é liberal. E, entre muitos desses políticos, há alguns que são da mesma escola onde se formaram os clericais fascistas salazar(entos) que governaram Portugal durante quase meio século. Mas..... Com populismo e demagogia, muita mentira verdade parece, mas em liberdade e democracia, terá o Povo o Governo que merece? Concerteza que terá, afinal não foi esse o resultado das eleições, e não estaremos nós numa democracia? O Governo PS tem um programa neo-liberal, ( não importa que seja mau, está no programa votado), protege os capitalistas (toda a gente que votou o sabia, o deveria saber). José Sócrates não é credível , mas o povo deu-lhe os votos, é importante que o mostre a sua incompetência pois talvez assim haja mudanças (ou não) em termos políticos, mas as pessoas não têm coragem para virar à esquerda e já perceberam que o PSD é a mesma coisa com outros nomes e o PP (partido do portas) é mais populista que popular (que apesar de tudo vai convencendo, muitos incautos!) . O exemplo recente era o corte no vencimento dos políticos em nome do país, lançou o repto, a medida não resolve os problemas do país, mas até era um bom exemplo, o primeiro ministro até aceitou e o Paulo Portas ciente que no ouvido das pessoas tinha ficado a "sua intenção de estadista", e silenciou, porque tudo não passou de populismo ou fogo de vista.

O governo Sócrates prepara-se para aplicar um violento plano de austeridade – com o congelamento de salários da Função Pública, a redução do investimento público, privatizações, aumento de impostos, etc. – que terá como consequência o aumento do desemprego e da pobreza no país. Este plano, iniciado com a aprovação do Orçamento do Estado na Assembleia da República, com a ajuda da direita (PSD e CDS-PP). que tão compreensivos foram com a Banca que uma vez mais apresentou lucros de milhões, mas que requer a protecção do estado para conservar os lugares para os políticos desempregados ou sem tacho, mas a nível internacional atribui-se à banca toda a crise actual, mas desta crise apenas me parece que seja uma forma de concentrar o capital em meia dúzia de capitalistas e uma maior desigualdade. Os capitalistas e os seus partidos, concordam, como é lógico, com o plano de austeridade dos governos porque concordam com o seu plano de fazer com que os trabalhadores paguem esta crise de capitalistas.

Sou contra a queda de governos palacianas ou conspirativas, até os governos autistas e déspotas só devem cair com a força e vontade do povo e não por mera conveniência política, uma certeza absoluta é se conviesse à direita e à candidatura do seu presidente em potencial, o governo já teria caído há muito, mas como não lhes convém e até se assumem mais como estadistas do que políticos, desenterrando frases do passado. Onde fica a coerência dos partidos da direita quando Alberto João Jardim, faz as insinuações mais jocosas, ofensivas e muitas das vezes violadoras dum estado democrático? Quantas palavras ofensivas este democrata vomitou nos seus discursos? Poucas vozes no seu partido se têm levantado contra a sua conduta... Talvez a sua candidatura a primeiro ministro tornasse esse país mais igualitário, talvez o interior do país fosse desenvolvido e se fizesse um túnel entre o continente e a Madeira.

Genericamente tudo neste país parece desandar, até a igreja católica, e os católicos Portugueses, que afirmam que a igreja não quer influenciar a sociedade, e que defende a "independência" do Estado, continua a tentar impor uns quaisquer mandamentos em nome do Deus, que têm o direito de acreditar, mas nunca de impor conforme se habituaram no passado e reclamam referendos e movimentos fazendo, alguns, política onde era suposto ser local de oração. É óbvio que no cumprimento das regras democráticas todos têm direito à liberdade de expressão, mas também estão sujeitas às mesmas. Juristas e políticos têm todo o direito de se embrulharem numa animada discussão destinada a decidir se a divulgação de escutas obtidas pelos investigadores no âmbito do caso “Face oculta” viola as leis em vigor sobre a privacidade. Caso o país ainda não se tenha transformado numa mera fotocópia, baça e desfocada, daquilo que o mero senso comum entende ser um regime democrático, o tema não pode ser esquecido e arquivado em duas penadas. É tudo demasiado mau para ser verdade, mas é tudo, também, demasiado preocupante para passar incólume entre as fendas do edifício da Justiça e escapar a um escrutínio que esclareça, em definitivo. Os meios de comunicação dizem que a política é controladora e segregante mas só falam de politica e políticos, porque eles são a matéria-prima da sua actividade, já que estes actores são um filão inesgotável. É um paradoxo ! É o desfasamento entre o real e o virtual, entre o que existe e o que é fabricado, em suma entre o que se diz e o que se passa realmente...
Temos de cair na realidade e como democratas e republicanos preparemo-nos para as presidenciais, onde um candidato alegre, assumindo-se voz duma esquerda, vem "nobremente" ser abafado por um cata-vento político que obviamente nada tem contra os partidos, mas com a sua experiência no terceiro mundo assume-se como presidente incontestável deste país, afinal se o país está doente ele até é médico e com experiência internacional. Os enaltecedores da alegria dum candidato rendem-se à nobreza do outro e às suas virtudes, em autênticas contradições. Mas a vida e a política também são uma contradição ou serão complementaridade onde a regra bionívoca faz sentido, apenas quando tem sentidos que interessem ou simplesmente que não façam sentido.  É por tudo isto que cada vez mais o povo português dá "cavaco" aos desgastados do costume.
Pensem nisso

António Veiga
 
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