Fragilidades do tempo - Osteoporose

In osteoporosis prevention of falls is critical and  essential is the type of  food.
La osteoporosis se instala de forma insidiosa y progresa sin síntomas durante años.
Une femme sur trois et un homme sur huit de plus de 50 ans sont touchées par l'ostéoporose.
I primi sintomi di osteoporosi sono: dolore alla schiena, una perdita di altezza, spesso accompagnata da accovacciata in avanti
Hoje dia dos namorados ( mais um dia para o consumismo), vai haver em todos os bloggs das mais variadas dissertações sobre amor, namoro, paixão. Hoje, por pedido de alguns amigos e para uma pessoa que segue este blog è distância e pela qual tenho o maior dos carinhos, vou devanear sobre saúde e em particular uma doença que a afecta e a incapacita para alguns movimentos, fica a informação para todos os que lerem mas em especial para ela. Sem movimento diário e apropriado é impossível mantermo-nos saudáveis. Todos os processos vitais exigem, para serem executados convenientemente, movimento tanto das partes onde acontecem quanto do todo. O sedentarismo, tabagismo, alcoolismo e outros factores desencadeantes (havendo alguns autores que apontam o excesso de cafeína) estão na origem duma doença esquelética sistémica que se caracteriza pela diminuição da massa óssea e por uma alteração da qualidade microestrutural do osso, levando a uma diminuição da resistência óssea e ao consequente aumento do risco de fracturas

Ao olharmos para um osso, este aparece-nos como uma estrutura sólida e inerte. Engano! Na realidade o osso é um tecido vivo, extremamente dinâmico, que se encontra em constante renovação, e isto durante toda a vida. Estima-se, que de dez em dez anos temos um esqueleto novo. No processo de remodelação óssea existem duas fases: uma de reabsorção, seguida de uma outra de formação. Se a quantidade de osso reabsorvido não é inteiramente reposta, então os ossos tornam-se finos e frágeis. Os ossos ficam mais fracos à medida em que vão sendo absorvidos pelos osteoclastos, sem que a produção de osteóide pelos osteoblastos seja capaz de acompanhar a absorção. Interiormente o osso trabecular torna-se menos denso. Por fora o osso cortical perde espessura.

Concretamente os factores de risco podem ser: Não modificáveis (Sexo feminino - uma em cada três mulheres e um em cada oito homens com mais de 50 anos são afectados pela osteoporose; Idade superior a 65 anos; Raças branca ou amarela; História familiar.) e os potencialmente modificáveis (Menopausa precoce; Hipogonadismo; Períodos de amenorreia prolongada; Índice de massa corporal baixo; Imobilização prolongada; Existência de doenças que alterem o metabolismo ósseo, como endocrinopatias, doenças reumáticas crónicas, insuficiência renal ou anorexia nervosa; Utilização de fármacos que provocam diminuição da massa óssea, como corticosteróides, anticonvulsivantes e anticoagulantes, antidepressivos, ansiolíticos e/ou anti-hipertensores)
A osteoporose instala-se insidiosamente e progride sem sinais durante anos. Os primeiros sintomas a surgir são as dores lombares, uma perda de altura muitas vezes acompanhada de postura encurvada para a frente. E surge uma fractura após um traumatismo mínimo!
O diagnóstico precoce faz-se através de uma osteodensitometria de dupla energia radiológica, que permite identificar as categorias e avaliar o risco de fractura.

Existem essencialmente dois tipos de osteoporose o Tipo I - Osteoporose pós-menopáusica que como o nome indica surge habitualmente nas mulheres após a menopausa, e o Tipo II - Osteoporose relacionada com o envelhecimento, que afecta tanto os homens como as mulheres após os 70 anos.
1. A Osteoporose pós-menopáusica surge normalmente nas mulheres alguns anos após a menopausa. Nessa altura os ovários da mulher produzem menos estrogénios, uma hormona sexual feminina. Na ausência de estrogénios, a reabsorção óssea aumenta e perde-se massa óssea de forma generalizada.
2. A Osteoporose relacionada com o envelhecimento a idade avançada apresenta várias preocupações adicionais no que respeita à osteoporose. Os adultos com mais de 70 anos correm o risco adicional de redução da massa óssea pois o pico da densidade óssea dá-se aos 35 anos e vai diminuindo gradualmente. Além disso a capacidade de absorção do cálcio a partir do intestino diminui reduzido a quantidade de cálcio no corpo. Por outro lado a formação óssea é estimulada pelo exercício físico, consequentemente quanto menor for a actividade mais frágil o osso se tornará.

Há diferentes abordagens terapêuticas, consoante a história de fractura e fragilidade, mas normalmente implica tanto medicação como outro tipo de medidas. Os bifosfonatos também são úteis no tratamento da osteoporose. O alendronato reduz a velocidade de reabsorção óssea nas mulheres pós-menopáusicas, aumentando a massa óssea na coluna vertebral e nas ancas, e reduzindo a incidência de fracturas. Não obstante, para assegurar a correcta absorção do alendronato, este deve ser tomado imediatamente depois de despertar juntamente com um copo de água e não se deve ingerir comida ou bebida durante os 30 minutos seguintes. O alendronato e o residronato podem ser tomados uma vez por semana, o ibandronato uma vez por mês e o zoledronato uma vez por ano, este último por via intra-venosa.
Administram-se suplementos de vitamina D e cálcio aos homens que sofrem de osteoporose, especialmente quando os exames mostram que o seu organismo não absorve as quantidades de cálcio adequadas. Os estrogénios não são eficazes nos homens, mas a testosterona é-o, no caso de o valor desta se manter baixo.
As fracturas típicas da osteoporose localizam-se principalmente na coluna vertebral nas ancas e nos punhos, e podem conduzira incapacidades permanentes , perda de autonomia ou, até, serem causa de morte. Em geral, no caso das fracturas da anca, substitui-se toda a anca ou uma parte dela. Um pulso fracturado é engessado ou corrigido cirurgicamente. Quando as vértebras se partem e causam uma dor de costas intensa, usam-se coletes ortopédicos, analgésicos e fisioterapia; contudo, a dor persiste durante muito tempo.


A prevenção baseia-se numa alimentação cuidada e algum exercício físico. Os alimentos mais ricos em cálcio são os produtos lácteos, alguns legumes como as nabiças, couve, espinafres, grelos de couve e miolo de frutos secos como avelãs e amendoas Estima-se que para suprir as necessidades normais em cálcio é necessário ingerir cerca de 800 mg por dia, e cerca de 1200 a 1500 mg por dia para necessidades acrescidas (grávidas mães que amamentam, mulheres na menopausa e crianças em idade escolar. Os melhores tipos de exercícios para quem tem osteoporose são: exercícios com carga: marcha, dança e aeróbica de baixo impacto; exercícios com resistência: usando pesos livres, aparelhos ou fitas de borracha. Na impossibilidade um passeio a pé diário pode servir como um autêntico tónico para a prevenção da osteoporose, mesmo quandio a doença instalada o sedentarismo e a imobilidade são sempre prejudiciais

Na osteoporose a prevenção de quedas é fundamental: Evitar tapetes soltos ou passadeiras espalhadas pelo chão; prestar atenção aos pavimentos escorregadios., usar um calçado confortável, com uma boa base e com e com solas antiderrapantes; mandar instalar na casa de banho barras metálicas junto à banheira, para se poder agarrar; uma boa iluminação ambiente é fundamental, não se levantar durante a noite sem primeiro acender as luzes

Importa saber que existem alguns factores que podem influenciar directamente a absorção do cálcio:

1. Positivamente: A luz do dia, 15 minutos por dia ao ar livre são suficientes para cobrir as necessidades do organismo em vitamina D. Esta vitamina, indispensável para o transporte do cálcio no organismo, é sintetizada à superfície da pele, com a ajuda dos raios ultra violetas. É pois importante dar um pequeno passeio a pé todos os dias; o exercício físico ajuda o cálcio a fixar-se nos ossos reforçando-se assim a respectiva estrutura. Recomenda-se a marcha, o jogging, a ginástica e o ténis.; as hormonas, os estrogénios (hormonas femininas) e os androgénios (hormonas masculinas), estimulam a absorção do cálcio e limitam a respectiva eliminação. Como na menopausa o organismo feminino fabrica menos estrogénios pode ser necessária a prescrição por um médico, a titulo preventivo, de um tratamento hormonal de substituição; a vitamina C aumenta a absorção do cálcio. Convém portanto comer fruta fresca e consumir legumes crus, que têm outras vantagens para a súde e não exclusivamente para a osteoporose, devendo ser um hábito a incutir nas crianças, pois sendo a alimentação um hábito cultural, cedo deve ser iniciado em detrimento das habituais guloseimas.
2. Negativamente: O tabaco, diminui a absorção do cálcio; o alcool, ingestão regular de álcool diminui a absorção do cálcio pelo intestino e aumenta a respectiva eliminação pela urina, a cafeína favorece a eliminação do cálcio, o sal, oconsumo excessivo de sal aumenta a eliminação de cálcio pela urina.
O tempo tempera, mas também corrói, deixando tudo mais frágil e a melhor maneira de ganhar têmpera é começar a fazer uns passeios a pé, pois não só relaxa a mente como tonifica o físico.

Pensem nisso

António Veiga

Acorda Vizela

AWAKENS VIZELA, this intoxicating sleep village of surreal figures and aims broken, promises betrayed obscurantist and procedures;
ACUERDA Vizela, del sueño embriagador de las figuras surrealistas que tiene como objetivo rotos, promesas traicionadas  y procedimiento oscurantistas;
REVÉILLE VIZELA, et punit ceux qui rompent, et que te trompe l'espoir de te posséder, te refuse le plaisir d'être pleine de liberté et d'idées.
RISVEGLIA VIZELA, e punisce chi spezzare, e che si ingannano con la speranza di possedere te, si nega il piacere di essere pieno di libertà e di idee che vi guiderà verso la felicità vera
ACORDA VIZELA, deste inebriante sono povoado de figuras surrealistas e almejos quebrados, promessas traídas e procedimentos obscurantistas;
ACORDA VIZELA, e afasta-te destes putrefactos odores emanados pelo esbracejar desesperado dos que te querem seduzir encarnando-se como salvadores do Nada e messias de coisa alguma;

ACORDA VIZELA e veta dos que renegam a tertúlia, mas se degladiam pelo poder cego embrulhando-se em episódios dantescos e futilidades.

ACORDA VIZELA, e castiga os que te dividem, e os que te enganam na esperança de te possuir barrando-te o prazer de existir plena de liberdade e ideias que te guiem à verdadeira felicidade

ACORDA VIZELA e cultiva-te para que saibas evitar os venenos de quem te sedou com promessas “cumpridas” em cima do apito final, sonhos que claudicam sob o peso da realidade e ameaçam com a inevitabilidade da monotonia incutindo o medo à ruptura e mudança!

Faz deste despertar um hino à verdade, um grito pela independência e força dos desejos e esperanças. Antagoniza, então, através de um simples gesto, e usa como arma o voto



António Veiga

O Rio e a Cidade

Importa a Vizela crescer em torno do rio e das Termas, pois estes são os seus potenciais económicos naturais. Não é emparedando o rio e trazendo zonas habitacionais para as suas margens que se consegue um melhor desenvolvimento, que deve ser sustentado e harmonioso na paisagem. No programa da CDU defendia a criação de uma zona verde e de lazer em todo a extensão das margens do rio, o que permitiria uma requalificação de todo o espaço ribeirinho. Complementarmente defendia-se um maior respeito pelas linhas de água. As linhas de água são sistemas de drenagem natural e elementos da paisagem, em que a presença permanente ou temporária de água leva a um desenvolvimento de sistemas bióticos de grande diversidade muito importantes. Elas têm servido de referência ao homem ao longo dos tempos, mas desde muito cedo que o ser humano tem vindo a intervir nas bacias hidrográficas, não tendo em conta os limites destas zonas.

Ninguém pode negar a função extremamente importante na paisagem dos nossos cursos de água, são eles que conduzem as águas das bacias hidrográficas, nomeadamente do rio Vizela, e têm diversas funções, hidráulica, biofísica, paisagística e económica que Vizela aproveitou para indústria e que agora está descurado. De facto, algumas das actividades industriais do passado, e mesmo no presente, afectaram ou afectam não só o rio Vizela mas também as linhas de água, às quais se associam: A contaminação atmosférica, deposição ácida, urbanização, alguma desflorestação ou remoção da vegetação, a contaminação orgânica e inorgânica. Entenda-se que o rio Vizela é uma fonte de riqueza que urge recuperar, pois dele se pode potenciar múltiplos recursos se conseguir uma adequada despoluição e uma paisagem das suas margens harmoniosa e ecologicamente equilibrada, desses recursos evidencia-se: água, energia, pesca, beleza paisagística pela vegetação aquática e das margens, flora e fauna silvestre associada à presença da linha de água, espaço de lazer, espaço de grande valor paisagista para a inserção de zonas e infra-estruturas desportivas.

Actualmente é preocupação, quer entre cientistas ou políticos, o enquadramento, a requalificação ecológica das zonas ribeirinhas, na conservação dos ecossistemas das margens, importante na regularização da humidade atmosférica e do ar devido à sua intensa evapo-transpiração, permitindo uma melhoria da qualidade de vida das populações. Efectivamente, a protecção das margens com vegetação ripícola é indispensável, o que se deve ao facto desta vegetação assegurar o equilíbrio dos diferentes ecossistemas. Para além desta função, o revestimento vegetal é um factor importante na defesa e conservação do solo, como consequência da protecção que a sua parte aérea exerce na acção directa da chuva e as suas raízes na formação de uma rede de retenção das partículas do solo. Quando se eliminam os elementos vegetais, o sistema entra em desequilíbrio ou em ruptura e a acção dos agentes erosivos agrava-se.

As estratégias de intervenção nas linhas de água devem ter em consideração a profundidade, largura, traçado, velocidade da corrente, declive longitudinal, caudal e dinâmica (erosão, transporte e sedimentação). Se não houver cuidado nas intervenções, o regime hidráulico do curso de água é perturbado e investimentos avultados são autênticos desastres. A requalificação da zona ribeirinha do Vizela deve assentar no princípio da utilização de material vivo, ou seja, a vegetação, que contribui para a protecção dos recursos naturais sem destruir a sua imagem associados a zonas desportivas e de lazer devidamente enquadras, a aproximação de zonas industriais ou urbanísticas independentemente da sua qualidade impedem uma conjugação ecológica e harmoniosa e esse é um erro que se teima em cometer.

Pensem nisso

António Veiga


Verdade dos jornalistas

The product of journalistic activity is usually embodied in more than inform.
Le journalisme d'aujourd'hui peut être déplacé plus rapidement que les événements; des hypothèses et des prévisions sont faites des nouvelles, au probable on le dit toujours comme une verité.
Los periodistas de hoy tienen un papel decisivo en la política e economia sino también social y los "media" son una fuerza de presión en la sociedad los proclamando  en héroes o tiranos de la civilización moderna y un país es mucho más noble si tiene una buena libertad de prensa y de expresión.
Vi è una volontà fervosa di utilizzare il giornalismo come opposizione o l'opposizione dell'opposizione

Pessoalmente penso que o Jornalismo é um dos maiores dinamizadores da conjuntura actual a todos os níveis que na impossibilidade de ter um consenso global de independência deve procurar acima de tudo a veracidade da informação, mas o seu trabalho é condicionado por muitos factores quer extrinsecos quer extrinsecos. Seria impensável e provavelmente fastidioso e obscuro um país com jornalistas amordaçados ou censurados políticamente. A abolição da censura e a liberdade de expressão foi uma das vitórias do 25 de Abril de 1974, voltar atrás seria um retrocesso quase tenebroso. Os jornalistas têm hoje um papel decisivo na conjuntura social mas também política sendo a mediatização uma força premente na sociedade dos tempos modernos tornando-os em heróis ou carrascos na civilização actual, sendo um país mais nobre quanta liberdade de imprensa e expressão tiver. Qualquer jornal, da primeira linha à última, não passa de um tecido de horrores: guerras, crimes, roubos, impudicícias, torturas, crimes das nações, corrupção, uma embriaguez de atrocidade universal, mas para todos os efeitos elas são consequência do comportamento, das interacções e inter-relações das sociedades humanas.
O jornalismo actualmente consegue-se movimentar mais rápido que os acontecimentos e de pressupostos de previsões fazem-se notícias, tudo o que é provável é verdade. Trata-se dum axioma sujeito a adulterações, quantas falsidades se explicam e quantas arranhadelas na verdade se resumem a um não a conhecimento dos factos.Á verdade dos jornalistas não é nem pode ser tomada como absoluta, como todas as verdades só o são até prova em contrário conhecida.  Incontestavelmente foi a imprensa, com a sua maneira superficial e leviana de tudo julgar e decidir, que mais concorreu para dar ao nosso tempo o funesto e já irradicável hábito dos juízos ligeiros, mas a culpa dispersa-se aos já frágeis sistemas judiciais e políticos que eles próprios tentam movimentá-los e manobrá-los à sua conveniência.
Há uma fervosa vontade de usar o jornalismo como uma oposição ou uma oposição da oposição.Em todos os séculos se improvisaram estouvadamente opiniões: em nenhum, porém, como este, essa improvisação impudente se tornou a operação corrente e natural do entendimento, levando a desacreditação de tudo e a julgamentos unilaterais em praça pública ou manipuladores de opinião.É com impressões que formamos as nossas conclusões, para louvar ou condenar em política o facto mais complexo, e onde entram factores múltiplos que mais necessitam de análise, contentamos-nos com um boato escutado a uma esquina.Fabricam-se ou constroem-se notícias em função de algo: das audiências ou interesses.Um dos objectivos primordiais do jornalismo é informar mas a parte que mais cativa é a manipulação das notícias e muitas das vezes nem são os jornalistas que evidenciam esse lado obscuro do jornalismo, a forma de olhar ou ler a notícia pode ser ela uma forma de a corromper, daí que o jornalismo nunca é universal.
Importa sempre invocar falta de liberdade de expressão quando manipuladores vêm goradas as suas intenções e importa limitar a liberdade de imprensa quando se evidenciam manipulações. Mas pior que mau jornalismo é sempre o condicionamento a informar, pois um bom jornalismo pressupõe uma população bem informada e será sempre esse público o melhor filtro e a melhor censura. A censura é uma arma dos fracos de ideias que se impõem pela força da irracionalidade mas censuras violentas tornar credíveis as opiniões que elas atacam, facto que os ditadores acabam por sucumbir. O simples cidadão é conivente com o mau jornalismo basta lembrar-nos dum estudo feito por alunos duma escola de jornalismo que inventaram um evento e pediram testemunhos a transeuntes que nada viram para darem o seu testemunho e 87% das pessoas entrevistadas foram coniventes ou mesmo as que Orson Welles produziu na sua transmissão da Guerra das Mundos.
O produto da actividade jornalística é geralmente materializado em mais que informar. Seria desastroso para um conjunto de figuras sociais rídiculas e mesmo parasitas se determinado tipo de jornalismo deixasse de existir como é o caso do jornalismo cor de rosa e sensacionalista, onde figuras que nada produzem arrastam consigo milhares de páginas, fotos, palavras e textos fundamentados em coisa nenhuma. As técnicas e procedimentos específicos para a actividade de redação, é de todos o mais cobiçado porque aí se pode manipular o "timing" dum facto, mesmo que verídico, cujo objectivo pode ser simplesmente desviar a atenção do essencial ou simplesmente moldar hábitos, convicções ou costumes. O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem estabelece normas para a liberdade de expressão e de imprensa, mas em todo o mundo a mesma raramente é respeitada daí o eterno namoro dos políticos e grupos económicos. Também as modas e as correntes condicionam a verdade jornalística e verdades de hoje são emergentes mentiras do amanhã. Pessoalmente, nunca gostei da forma como a Manuela Moura Guedes exercia o jornalismo que para lá de ser extremamente agressivo era algumas das vezes (na minha modesta opinião) facciosa e mais juíz parcial que jornalista. Discordo de qualquer forma de silenciamento, mas a forma como tudo tem sido tratado levanta muitas suspeitas que provavelmente a todos os intervenientes convém esconder e que as vão usando em seu proveito. Os actuais defensores e opositores das escutas e da sua divulgação tomam posições diferentes em função do lado da barricada que se encontram.
Não deixa de ser curioso que algumas pessoas que em tempos crucificavam aquela jornalista como uma má jornalista referem-na agora quase como um modelo de jornalismo manipulados provavelmente neste jogo de interesses. É um caso que deve preocupar o país mas é tendencioso quando querem fazer dele um problema nacional, e uma vez mais quem fica beliscado na sua essência é a justiça portuguesa sendo ela o verdadeiro alvo e protagonista, por um lado por provável conivência ou permissividade, por outro por no seu seio haver corruptores e por último a falta de eficácia ou coerência a todos os níveis da sua hierarquia remetendo o país para a descrença ou permitindo uma ditadura camuflada. Nada é fidedigno, a não ser a dúvida, mais vale pender para a dúvida do que para a certeza nas coisas difíceis de provar e perigosas de crer mas a mesma só é benéfica no sentido global se devidamente isolada e não contínue indefenidamente a transfigurar-se num polvo gigante.

Pensem nisso

António Veiga

Lisboa vista pelas casas das avenidas

Lisbon seen the houses of the avenues.
Les maisons de Lisbonne montrent la ville.
Uno sguardo alle case di Lisbona.
Lisboa vista por sus casas

As casas para lá de monumentos de épocas são o retrato das pessoas, porque a casa dum Homem pode ser o seu castelo o seu palácio, mas algumas das vezes é também a sua prisão e os seus muros escondem ou afastam a realidade, talvez seja por isso que as grandes mansões têm sempre grandes vedações ou muros a circundá-las.  Tal como na vida é preciso sair de casa para melhor apreciá-la; os que se encerram em casa acabam por molestar os seus, por falta de valor para lutar com os de fora. Numa das minhas últimas idas a Lisboa olhei-a pelas paredes das suas casas. Lisboa arrebata-nos o olhar para o rio, imensa paleta onde a cidade se redesenha, deixando para trás o casario. Esta cidade de sobe e desce, num ritmo de telhados, azulejos, pedras, praças e bancos de rua. Ao lançarmos o olhar para as casas sentimos que contam histórias da História, imponentes ou discretas marcam ruas e olham do alto, o trânsito que se atropela, as pessoas que correm ou simplesmente as usufruem. Apagadas entre monumentos, parques ou jardins ficam muitas vezes fora de olhares atentos de quem visita a cidade, mas Fernando Pessoa lançou sobre elas um olhar da sua  poesia. Fica aqui um passeio diferente pela bela cidade que é Lisboa retratado nas casas das suas avenidas, obras arquitectónicas de rara beleza, mas na memória ficam outras casas que ninguém quer ver ou olhar e sombreiam a paisagem Humana duma cidade bonita como Lisboa, e voltar a ela é como regressar ao meu tempo de faculdade e juventude.










Lisboa


Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa

E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,

Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.

Álvaro de Campos, in "Poemas" Heterónimo de Fernando Pessoa









Amo-te Lisboa virada ao Tejo
(Rogério Martins Simões)



Dizem que um dia alguém cantou…
Por amores se perde quem lá voltou.
Que por amores Lisboa se perdeu!
De amores se perde quem lá nasceu.

Dizem que um dia alguém contou.
Que uma moira cativa no Tejo desceu.
Por amores, Lisboa, a moura libertou,
De amores, por Lisboa, a moira morreu.

Juntaram-se os telhados enfeitiçados,
Apertadinhos os dois e entrelaçados,
Num fado castiço, numa rua de Alfama.

E o Tejo, que é velho, beija a Cidade:
 Morre-se de amor em qualquer idade,
Perde-se por Lisboa, quem muito ama!







Paralização dos enfermeiros

Os enfermeiros paralisaram porque os querem estagnar. Quando se fala de greves normalmente associam-se apenas a aumentos salariais, não sendo o caso dos enfermeiros que vêm a sua profissão não ser reconhecida pela qualidade dos serviços prestados e com riscos de perda da sua autonomia. A enfermagem é uma das profissões mais relevantes na prestação dos cuidados de saúde pela efectivação diária dos seus múltiplos e diferenciados desempenhos, em todas as instituições de saúde (e só quem necessitou alguma vez na sua vida de cuidados diferenciados de enfermagem consegue dar a devida relevância ao que acabei de afirmar), temos assistido ao longo da última década a uma tentativa progressiva mas intencional, por parte de variados governos no "Poder", para a diminuição do prestígio destes profissionais, que se revelam dos mais qualificados e preparados a nível internacional. Os enfermeiros sentem-se traídos no enorme esforço em tempo e dinheiro que fizeram ao longo dos anos, traídos na falta de reconhecimento profissional por parte dos órgãos de poder político (e não só), pelo não reconhecimento da sua actividade dentro das instituições, traídos na natural necessidade de ambicionarem melhorar os seus padrões de vida e em muitos casos traídos pelos seus próprios pares. Sabendo que nos últimos anos os profissionais de enfermagem, em geral, foram capazes de fazer um enorme esforço de adaptação aos padrões de exigência de uma sociedade moderna, exigia-se por parte dos órgãos de poder mais consideração e atenção aos problemas desta relevante profissão. Todos os dias ouvimos notáveis deste país a apelar, e bem, à necessidade de formação académica e profissional dos trabalhadores portugueses. Todos os dias os ouvimos falar sobre a importância do "know-how" para os trabalhadores e para as empresas.
Ninguém hoje duvida que uma das profissões que mais esforço fez nos últimos 15 anos para aumentar os seus níveis de formação académica e, consequentemente, aumentar as suas competências profissionais foram os enfermeiros. Nos meios académicos sabe-se que é extremamente vulgar encontrar alunos licenciados em enfermagem nos chamados 2ª e 3º ciclos de estudos superiores. O que revela o profundo interesse destes profissionais na melhoria da sua formação científica e profissional. Como se pode compreender que os enfermeiros portugueses sejam os únicos profissionais que não são remunerados de acordo com o seu nível académico? Alguém consegue responder a esta questão de forma lógica? E, sendo muitos deles Mestres e Doutorados nas melhores Universidades do País e em várias áreas da saúde, como se justifica não fazerem parte dos órgãos de decisão? O preconceito histórico continua enraizado na cultura portuguesa face a esta profissão. Arredados dos centros de decisão e esquecidos pelos media para discutir temas para os quais estão superiormente qualificados, As culturas institucionais de poder, por mero preconceito histórico, continuam de forma sustentada e intencional a querer subjugar estes profissionais sem se terem dado conta que tudo mudou e continuará a mudar à sua volta e os orgãos de informação continuam na atitude de os ignorar.. Têm que conseguir destruir os seus "mitos" relativamente a esta profissão sob pena de ser continuar a perder uma importante base de trabalho no sector da saúde, pois os enfermeiros são profissionais de nível superior da área da saúde, com aptências para exercerem cuidados de qualidade e cargos de responsabilidade na promoção, prevenção e na recuperação da saúde dos indivíduos, dentro de sua comunidade e são pedra essencial e fulcral em qualquer sistema de saúde, porque eles são sempre os profissionais presentes, que mesmo estando em greve continuam a prestar os cuidados mínimos para que não haja prejuízo efectivo para os doentes. 
 
Pensem nisso

Observadores

A observação produz uma base firme e objectiva que permite uma maior informação ao conhecimento e que ele possa assim ser derivado. O resultado do domínio de uma linguagem teórica serão tão acuradas quanto a teoria utilizada e seus conceitos assim permitir. Ases teorias devem necessariamente preceder a observação para poder se chegar a resultados verificáveis sobre um determinado problema. Foi assim que inicialmente os Homens no período da pré-história iniciaram novas descobertas em função do que iam observando e apreendendo do mundo e do ambiente que os rodeava. É óbvio que uma observação solitária ou uma auto observação pode levar a erros cíclicos, daí a importância não só da experimentação e de todo o percurso científico mas também a troca de dados com outros observadores. É nessa permuta que grandes civilizações complementam saberes em povos ocupados.


Na política foram imperando figuras complementares de controlo, desde: conselheiros, senados, assembleias como figuras capazes de observar e fazer uma análise do poder. Quanto mais complementar for a relação deste último com essas figuras melhor acção tem aquele nas decisões tomadas. Mas, simultaneamente o poder tem uma capacidade alienatória ou de compadrio havendo uma tendência para neutralizar as opiniões de observadores fora do respectivo ciclo. Dificilmente nos podemos ver como transeuntes na rua se estivermos permanentemente à janela e essa normalmente é a postura de poderes que temem a crítica. Os regimes que temem os observadores têm no fundo uma falta de maturidade política ou simplesmente medo que a sua acção governativa seja interpolada ou posta em causa, vivem permanentemente em namoros dissuasores, por falta de discernimento em assumir compromissos. No entanto, um regime é tanto mais democrático quanto maior for a sua capacidade de se complementar nas oposições, provavelmente a descrença na política, tenha a ver com a falta de sentido construtivo em detrimento do interesse partidário, económicos ou outros.


A rejeição do provedor Municipal pelo edil poderá indiciar uma postura defensiva e de medo em ser observado. Era muito importante uma figura independente a servir de mediador do munícipe com a câmara, por muito que esta pretenda criar proximidade com os munícipes dificilmente o conseguirá sem essa figura mediadora. Provavelmente a mesma foi recusada por ter sido apresentada pela oposição e aqui revela-se uma vez mais o domínio da politiquice sobre os reais interesses do concelho. Lamentavelmente com a sua recusa não foram apresentadas alternativas credíveis.

São componentes fundamentais do exercício da democracia a transparência das actividades governamentais devendo a participação dos cidadãos nas decisões relativas ao seu próprio destino ser um direito e uma responsabilidade, mas também uma igualdade de opinião e direitos. A democracia surgiu quando, devido ao facto de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si. A negação de um regime democrático é quando substituição de alguns corruptos por muitos incompetentes, e esse é uma análise permanente e fulcral a qualquer poder instituído para que não se limite em si mesmo. É também uma condição necessária para o exercício pleno e efectivo da democracia. Com a recusa da figura do provedor municipal essa responsabilidade é empurrada para os vizelenses a quem se lhe pede uma maior participação nos destinos do concelho para fortalecer a democracia, pois a vontade de mudança não se esgota no acto de votar e muito menos na passividade ou indiferença.

Pensem nisso

António Veiga
 
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