Lisbon seen the houses of the avenues.
Les maisons de Lisbonne montrent la ville.
Uno sguardo alle case di Lisbona.
Lisboa vista por sus casas
As casas para lá de monumentos de épocas são o retrato das pessoas, porque a casa dum Homem pode ser o seu castelo o seu palácio, mas algumas das vezes é também a sua prisão e os seus muros escondem ou afastam a realidade, talvez seja por isso que as grandes mansões têm sempre grandes vedações ou muros a circundá-las. Tal como na vida é preciso sair de casa para melhor apreciá-la; os que se encerram em casa acabam por molestar os seus, por falta de valor para lutar com os de fora. Numa das minhas últimas idas a Lisboa olhei-a pelas paredes das suas casas. Lisboa arrebata-nos o olhar para o rio, imensa paleta onde a cidade se redesenha, deixando para trás o casario. Esta cidade de sobe e desce, num ritmo de telhados, azulejos, pedras, praças e bancos de rua. Ao lançarmos o olhar para as casas sentimos que contam histórias da História, imponentes ou discretas marcam ruas e olham do alto, o trânsito que se atropela, as pessoas que correm ou simplesmente as usufruem. Apagadas entre monumentos, parques ou jardins ficam muitas vezes fora de olhares atentos de quem visita a cidade, mas Fernando Pessoa lançou sobre elas um olhar da sua poesia. Fica aqui um passeio diferente pela bela cidade que é Lisboa retratado nas casas das suas avenidas, obras arquitectónicas de rara beleza, mas na memória ficam outras casas que ninguém quer ver ou olhar e sombreiam a paisagem Humana duma cidade bonita como Lisboa, e voltar a ela é como regressar ao meu tempo de faculdade e juventude.
Lisboa
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono.
Como à força de sentir, fico só a pensar.
Se, de noite, deitado mas desperto,
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.
Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
A força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.
Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,
Lisboa com suas casas
De várias cores.
Amo-te Lisboa virada ao Tejo
(Rogério Martins Simões)
Dizem que um dia alguém cantou…
Por amores se perde quem lá voltou.
Que por amores Lisboa se perdeu!
Que por amores Lisboa se perdeu!
De amores se perde quem lá nasceu.
Dizem que um dia alguém contou.
Que uma moira cativa no Tejo desceu.
Por amores, Lisboa, a moura libertou,
De amores, por Lisboa, a moira morreu.
Juntaram-se os telhados enfeitiçados,
Apertadinhos os dois e entrelaçados,
Num fado castiço, numa rua de Alfama.
E o Tejo, que é velho, beija a Cidade:
Morre-se de amor em qualquer idade,
Perde-se por Lisboa, quem muito ama!









































