Mulheres da Vida


Da pensare che la prostituzione esisteva, esiste ed esisterà a credere che il modo migliore per combattere il passo al di là della legalizzazione, ma nella creazione di una società più giusta, più egualitaria.

The legalization of prostitution might be the way to give dignity to the oldest profession in the world.

Les prostituées sont le résultat d'une société de marché et elle est exacerbée par le capitalisme

Al pensar que la prostitución existía, existe y existirá creo que la mejor manera de combatir el paso más allá de la legalización, es en la creación de una sociedad más justa, más igualitaria.
Mulheres de vida, rameiras, meretrizes, putas, prostitutas, etc., a língua portuguesa tem uma infinidade de adjectivos, todos eles na maioria usados sempre que se quer referir algo pejorativo, para classificar a prostituição um tema muito controverso e que nos pode levar a um devaneio exaustivo. Mas como a autora dum dos blogs que frequento diz: "Adoro casos mal resolvidos e sujeitos indeterminados... presciso de lutas vãs e de derrotas ficticias que se alonguem por noites a fio... " Ultimamente devido à elevada taxa de desemprego que afectam algumas famílias tem aumentado o número de mulheres com famílias tradicionalmente constituídas a procurarem na prostituição formas complementares de rendimento para o seu agregado familiar quer no país quer na vizinha Espanha. As estatísticas não são fiáveis e as forças da ordem não divulgam números de um fenómeno oscilante, que cresceu em fase de crise. Tal levou à "clara queda" do preço dos serviços aos clientes, reincidentes e vindos da classe alta e baixa, nomeadamente empresários e jovens da construção civil. A venda do corpo pode custar "só 10 euros" e é praticada na maioria por sul-americanas. O Leste europeu e Portugal, com adultas acima de 35 anos e universitárias também estão na oferta. A prostituição masculina é "residual, mas ligeiramente crescente". Os jornais são uma montra deste fenómeno crescente. Actualmente, torna-se muito fácil fazer julgamentos fáceis das pessoas, sem que no entanto se olhe às verdadeiras causas desses comportamentos. Alguns desses julgamentos geram preconceitos e tabus que por si só acabam por induzir em julgamentos entrando-se assim numa ciclicidade difícil de reverter. Foi no exercício da profissão e com maior relevo aquando tive responsabilidades no planeamento familiar que me inteirei “in loco” com esta realidade com histórias vivas destas "profissionais do sexo".




Para entender melhor é necessário não apresentar soluções ou procedimentos específicos sem fazer uma reflexão ao longo dos tempos e da forma como foi encarada, pois fazê-lo dessa forma seria leviano como muitos comentários que lhe estão associados, É uma actividade inspiradora de múltiplos autores nas mais diversas obras de ficção quer em livros, filmes e mesmo pinturas, tendo estado, e ainda está, associada ao poder desde tempo remotos. O ambiente de guerra e as crises foram propícios ao seu desenvolvimento, tendo algumas tornado-se famosas, cujos nomes são míticos na actualidade. Na espionagem e por conseguinte em interesses políticos estratégicos algumas mulheres tiveram um papel estratégico, que pela sua condição acabam por se perder em arquivos ou simplesmente apagados pela sua pouca clareza de objectivos para atingir meios. Assim, este meu devaneio, mais alargado por necessária complementaridade bibliográfica, é apenas um modesto contributo para se analisar com uma clareza mais escorreita ou informada. A prostituição é, sem dúvida, uma das profissões cujos indivíduos mais se sujeitam a um julgamento fácil, e que apesar de muito falado e estudado é um tema demasiado complexo e envolto em tabus que existiu desde os primórdios. Mas esta profissão só por si torna-se polémica por envolver um tema ainda muito tabu que é a sexualidade: A Organização Mundial de Saúde diz-nos que a sexualidade é " uma energia que nos motiva a encontrar amor, ternura e intimidade. Ela integra-se no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados. É ser-se sensual e ao mesmo tempo ser-se sexual. A sexualidade influencia também a nossa saúde física e mental. Na prostituição, à primeira vista, todos estes actos íntimos são rebaixados a um nível único - ao de um valor mercantil. Estamos perante o sexo separado de todo o significado humano - sexo objecto´.


A ideia que muitas pessoas têm que prostituir-se é um acto livre, é um direito ao corpo, é um acto de contestação e de liberdade, pode revelar a ausência de reflexão sobre esta situação. De salientar que algumas prostitutas podem ter uma relação muito próxima de ambientes elististas da política, economia e viver em ambientes sumptuosos sendo tão mal vistas porque as pessoas invejam o poder que as prostitutas têm. É óbvio que à luz de alguns pensadores mais vanguardistas e com a aceitação actualmente duma liberdade sexual plena, serem acérrimos críticos desta filosofia, mas não será a prostituição uma limitação de liberdades? Engels afirmava que " o amor entre o homem e a mulher foi fruto de uma caminhada pensada e sentida, criada através de um longo e por vezes doloroso percurso elaborado por seres humanos, que se iam distinguindo de outras espécies pela forma de estar na vida. Na sensibilidade e inteligência humanas esse é, sem dúvida , um aspecto fundamental a ter em conta : a caminhada da civilização é feita por homens e mulheres, caminhando lado a lado". Pode ser esta ideai utópica à partida! As relações sexuais devessem ser previsíveis e planificadas? O rastreio das pessoas que se prostituem em nome da saúde pública, defendendo inconscientemente a ordem sexual estabelecida, não é será uma forma de segregação? Quando normalmente dizemos que as prostitutas “vendem o corpo”, podemos estar a cometer um grande erro: Elas não vendem nada; Alugam o que é seu. Mas então se por alugarem o que lhes pertence são caluniadas e mal-vistas pela sociedade, também as mulheres “barrigas de aluguer” deviam ser. A sensibilidade sobre o que se considera prostituição pode variar dependendo da sociedade, das circunstâncias onde se dá e do nível moral do meio em questão. A prostituição, com seu status estigmatizado, alvo de repressão e censura pelo senso comum, não é uma profissão como qualquer outra, onde provavelmente ninguém gostaria de ter um filho. Com isso tudo, quero dizer que a actividade da prostituição requer um olhar cuidadoso e um debate em que a sociedade poderá enfrentar a questão como uma prática social.


Normalmente a prostituição é reprovada nas sociedades, tanto mais que associados à prostituição sempre estiveram associados comportamentos de risco que induziram aparecimento de doenças (DST), degradação psicológica que gera aos praticantes, impacto negativo na estrutura social básica (família) e de movimentações de capital menos lícitos. Actualmente o tráfico de seres Humanos para a prostituição é um dos negócios mais lucrativo que a droga ou mesmo as armas, sendo mais lucrativo quando se misturam e se complementam, usam novos métodos de gestão económica e tecnologias de comunicação cada vez mais avançadas, sendo redes muito bem organizadas a operarem. O tráfico representa uma forma agravada de violência sexualizada que é incompatível com o princípio da igualdade entre sexos. As mulheres e crianças atingidas pela pobreza são particularmente vulneráveis aos traficantes, que têm como motivação o lucro e, em muitos casos, estão envolvidos no crime organizado. O tráfico de seres humanos é uma forma grave de crime organizado e constitui uma grave violação dos direitos humanos.

Apesar de vulgarmente a prostituição ser a efectivação de práticas sexuais, hetero ou homossexuais, com diversos individuos e remuneradas, num sistema organizado, esta não é uma regra. Pode-se trocar relações sexuais pelos mais diversos motivos como seja: favorecimento profissional, bens materiais, por informação, etc. A prostituição caracteriza-se também pela exposição do corpo por fotos ou filmes em que se expõem partes intímas do corpo ou a permissividade do seu uso. Durante muito tempo a prostituição foi quase exclusivamente praticada por mulheres, mas cada vez mais vão surgindo um grande número de homens que têm na prostituição um a fonte de rendimento que também já vão sendo referenciados a nível sociológico e pela sua também polémica na arte, cinema e lieratura. Assim a prostituição é à vista de alguns pensadores como uma consequência de sociedades comerciais e com uma incidência muito mercantilizada em sociedades que vivem de serviços como o turismo e nas sociedades capitalistas, não se reduz a um acto individual de uma pessoa que aluga o seu sexo por dinheiro, é uma organização comercial com dimensões locais, nacionais e internacionais onde existem três parceiros: pessoas prostituídas, proxenetas e clientes. O meio prostitucional funciona como um mercado de oferta e de procura. Oferta por parte do prostituído que se vende, procura por parte do homem que a compra. Este é o caso mais simples, mas o mais raro. Na maioria dos casos ( oito ou nove em cada dez), segundo os estudiosos do tema, intervém uma terceira pessoa: o organizador e explorador do mercado, o chulo ou proxeneta, o proprietário de casas fechadas, salões de massagens, fornecedor de quarto de hotel ou de estúdios. Nas comunidades isoladas, onde não há a família monogâmica, não existe propriedade privada e por conseguinte não existe a prostituição: o sexo é encarado de forma natural e como uma brincadeira entre os participantes.


A prostituição pode-nos remeter à infância e adolescência quando é expresso o receio, sobretudo por professores e auxiliares de acção educativa, de que esta ou aquela jovem enveredem por esta actividade, uma vez que facilmente se envolvem fisicamente com um número significativo de colegas do sexo oposto. Face a este problema, de imediato se coloca uma questão: o que leva as adolescentes a sentirem-se atraídas por uma actividade como esta? Será por gostarem de sexo? Ou será com o objectivo de obter dinheiro? Os estudos realizados por vários investigadores, envolvendo um elevado número de jovens prostitutas, demonstraram que não se trata de uma decisão cuidadosamente tomada. Na maior parte dos casos, as jovens são arrastadas para a prostituição por um adulto, o proxeneta, que conhece bem as suas necessidades psicológicas. Estas geralmente são provenientes de famílias marcadas pela brutalidade e instabilidade, que apresentam relações débeis e um padrão de desmembramento muito elevado, sentindo estas uma necessidade muito forte de dependerem de alguém. Elas têm geralmente uma auto-estima pobre, falta de autoconfiança e frequentemente estão num processo de fuga de casa. Mas nem sempre é linear, há também casos em que a prostituição de facto só se inicia na idade adulta, sem antecedentes de risco, induzida por vontade própria por necessidade económica por complementaridade de luxos e muito raramente por gosto de actos sexuais. As condições de vida do proletariado, o desemprego, os baixos salários, a promiscuidade familiar, a toxicodependência, a miséria em geral são responsáveis pelo alastramento da prostituição. Importa referir que em todos os estudos sociológicos elaborados o corpo destes profissionais do sexo que está na prostituição é um corpo que deve comunicar uma relação calcada no corpo mercadoria, já nas relações afectivas ele comunicará sentimentos de afecto intimidade. A sociedade de consumo e massificação de necessidades materiais leva a que mulheres, quererem ter maneira de conseguir dinheiro rápido (e não fácil!), que doutra forma não conseguiriam. A toxicodependência também contribui para um novo surto de pessoas a prostituir-se.

Existem, hoje em dia, muitas jovens universitárias que, para fazerem face às elevadas despesas dos estudos optam por enveredar por esse caminho e à posterior mantém-se activas no mesmo pois os ganhos monetários são bastante maiores que os ganhos de um comum profissional que trabalham 7 horas por dia, 5 dias por semana, 30 dias por mês. No entanto, anúncios onde se lê «universitária» nem sempre correspondem à realidade, trata-se de uma espécie de título bastante apetecível porque lembra alguém que ainda é bastante jovem ou que poderá até envolver mais pessoas. Sendo uma profissão tem incursões sociais e existem várias classes de prostitutas. Existem as que trabalham nas ruas, a classe mais baixa, sujeitas a tudo o que aparece, e que na grande maioria das vezes não se importam de apanhar uma ou outra doença, que não fazem do uso do preservativo uma obrigatoriedade. Existem aquelas que trabalham nas chamadas “casas de passe”, são casas onde elas ficam durante 15 dias e depois vêm outras para o seu lugar, começam a se preocupar com a saúde, mas ainda tem algumas que o fazem sem preservativo. Há as que trabalham em apartamentos próprios, estas já têm a sua própria higiene e por cada cliente ganham mais que o dobro das outras, estas já fazem uma vida diferente. Normalmente não ficam à espera do cliente, este é que as procura; algumas só o fazem por marcação antecipada, havendo outras a trabalhar em clubes nocturnos, muitas vezes distanciadas da sua zona de residência. E para terminar vem a classe das mulheres ditas acompanhantes de luxo, normalmente cultas, multilíngues, lindíssimas, glamorosas e que cobram elevadas quantias, não se limitando a favores sexuais chegando a ser intervenientes em negócios e outros tipos de acções culturais.

Embora os serviços dentro de quatro paredes sejam mais caros nem sempre são auferidos pelas praticantes pois o lenocínio está-lhe mesmo assim associado. Esta pessoa pode ter várias actividades nesta relação a três. Quando falo da mulher de rua costuma ser um protector (proxeneta) ou de outra forma ser ele que distribui as mulheres pelos locais; estas muitas das vezes vão para sítios ermos que só se vai para lá de carro. Nas outras situações temos o proxeneta que é desempregado de longa duração e que só pensa em gastar o dinheiro que a mulher ganha. Depois temos a situação do dono da “casa de passe” e dos clubes que é ele que disponibiliza as condições para a mulher poder trabalhar. A forma como o proxeneta actua é muito curiosa e permite compreender o seu poder, funciona como um 'psicólogo' astuto, que com uma habilidade extrema manipula a necessidade básica de amor e de ligação afectiva . Na maior parte das vezes, mediante uma abordagem romântica e a oferta de presentes vistosos, o proxeneta convence de que lhe pode dar a protecção, a segurança e o amor de que ela necessita. Na sequência da relação estabelecida, este ensina-lhe a executar actos de sexo e esta rapidamente se disponibiliza a trabalhar para ele. Já num nível mais elevado, temos aqueles que colocam os clientes em contacto com as mulheres. O cliente normalmente tem direito ao contacto da agência e essa agência é que coloca a mulher no local onde o cliente a quer, escolhe de entra várias mulheres uma que faça o tipo que o cliente deseja.

Penso que na Europa, os únicos dois países onde efectivamente dá direito a contrato de trabalho são a Holanda, desde 2000, e a Alemanha, desde 2002. Em Portugal, a História já mostrou que tudo é possível: proibiu-se, regulamentou-se e agora enterra-se a cabeça na areia. onde actualmente não se proíbe mas também não se regula o exercício da prostituição. Nem sempre foi assim, entre 1853 e 1962, Portugal assumiu uma postura regulamentarista. O mesmo é dizer que meretriz era profissão, desde que nas chamadas casas toleradas, onde se procediam a fiscalizações sanitárias semanais, no intuito de detectarem possíveis casos de doença, como a sífilis. Foi a questão do moralismo que inspirou os ideólogos do sistema regulamentarista que vigorou em Portugal até 1963 e que tem como objectivo " a necessidade de sujeitar a rigorosa inspecção as meretrizes " a fim de " prevenir e acautelar os males que resultam para a moral,saúde e segurança pública da notável relaxação em que se acha esta classe miserável" como se refere na introdução do Regulamento Policial das Meretrizes e Casas Toleradas da Cidade de Lisboa de 1858. Em Setembro de 1962 o Dec-Lei n.º 44 579, que entraria em vigor no primeiro dia do ano seguinte, passa a proibir a prostituição, como consequência algumas mulheres passaram a estar em casas de luxo sob o olhar conivente das autoridades, enquanto outras fizeram da rua o seu local de trabalho. Em 1982, assiste-se à aprovação de um novo código penal que revogou o Decreto que proibia o exercício da prostituição. No entanto, se por um lado a lei deixou de punir por outro também não legalizou. Não fossem as Convenções internacionais adoptadas por Portugal, seria o vazio jurídico. É por isso que o crime de lenocínio está previsto: «Quem, profissionalmente ou com intenção lucrativa, fomentar, favorecer ou facilitar o exercício por outra pessoa de prostituição ou prática de actos sexuais de relevo é punido com pena de prisão de 6 meses a 5 anos», refere o artigo 170 do Código Penal e o tráfico de pessoas é crime, de acordo com o artigo 169 do Código Penal, e punível com 2 a 8 anos de prisão. Mas descriminalizar a prostituição, mas não legisla sobre a matéria, esta flexibilização da lei não é uma legalização

Alguns países apercebendo-se da quantidade de recursos económicos que a prostituição movimenta cederam ( embora a legislação interdite) ao turismo sexual, constituindo actualmente um fenómeno de massa entendendo-se essa forma de turismo como o motivo principal de pelo menos uma parte da viagem é o de se envolver em relações sexuais. Este envolvimento sexual é normalmente de natureza comercial, transformou-se em fonte de recursos em moeda estrangeira, para a população local. O turismo sexual dos países do sudeste asiático, que se iniciaram com os soldados americanos nos anos 1960 e da América Latina, é importante referir que geralmente, a prostituição doméstica antecede o turismo sexual, ou seja, há primeiro uma procura interna à prostituição e só depois se verifica a chegada de turistas sexuais. O aumento do tráfico de mulheres, adolescentes e crianças, em Portugal, na Europa e no Mundo é bastante preocupante. Calcula-se que mais de 500 mil mulheres na Europa e muitos milhões no mundo sejam vítimas de tráfico. O objectivo do tráfico nem sempre é a exploração sexual das vítimas. Por vezes, são vítimas de casamentos forçados, de trabalho clandestino, de trabalho doméstico e até mesmo de escravidão. Contudo, é a exploração sexual (prostituição) o maior motivo do tráfico de mulheres. O tráfico de mulheres resulta de uma repartição desequilibrada da riqueza mundial e colocar fim a esse fenómeno pressupõe uma reestruturação nas políticas sociais de forma a tornar o mundo mais justo e afastar a exploração capitalista que hoje domina o mundo. Como principais vítimas do fenómeno retratado encontram-se as mulheres vindas dos Países Africanos, de Leste e da América Latina, ou seja, das zonas mundiais com maior desnível sócio-económico.

Esta profissão acompanha a História da Humanidade desde os seus primórdios, sendo vulgarmente conhecida como a profissão mais antiga. Na antiguidade, em muitas civilizações, a prostituição era praticada por meninas como uma espécie de ritual de iniciação quando atingiam a puberdade. No Egipto antigo, na região da Mesopotâmia e na Grécia, via-se que a prática tinha uma ritualização. As prostitutas, consideradas grandes sacerdotisas (portanto sagradas), recebiam honras de verdadeiras divindades e presentes em troca de favores sexuais. Na Grécia e Roma as prostitutas eram admiradas, porém tinham que pagar pesados impostos ao Estado para praticarem sua profissão; deveriam também utilizar vestimentas que as identificassem. Na Grécia, existia um grupo de cortesãs, chamadas heteras, que frequentavam as reuniões dos grandes intelectuais da época. Com o Cristianismo houve a tentativa massiva de eliminar a prostituição, impulsionada pela em parte pela moral, mas os casamentos eram arranjados somente por interesse (que por si só já poder-se-ia considerar como prostituição), reforçam ainda mais a prostituição. Com a acção da Igreja Católica e das igrejas protestantes que surgiram a prostituição foi relegada a uma posição de clandestinidade, apesar da persistência de algumas cortesãs nas cortes Europeias e das suas colónias. Na revolução industrial muitas mulheres passaram a prostituir-se em troca de favores dos patrões e capatazes, expandindo novamente a prostituição e o tráfico de mulheres. No final do século XIX e XX surgem as primeiras correntes em defesa das prostitutas enquanto seres humanos. Já no século XX, os países ocidentais tomaram medidas visando a retirar a prostituição da actividade criminosa onde se tinha inserido no século anterior, quando a exploração sexual passou a ser executada por grandes grupos do crime organizado; portanto, havia a necessidade de desvincular prostituição propriamente dita de crime, de forma a minimizar e diminuir o lucro dos criminosos. Dessa forma as prostitutas passaram a ser somente perseguidas pelos órgãos de repressão se incitassem ou fomentassem a actividade publicamente. A disseminação de medidas profiláticas e de higiene e o uso de antibióticos, o controlaram a propagação de doenças sexualmente transmissíveis (DST), porém no final do século XX, a SIDA tornou a prostituição uma prática potencialmente fatal para prostitutas e clientes. A SIDA pode constituir um desafio às liberdades individuais e às liberdades públicas e a ameaça representada pelo VIH para a sociedade pode ser, um pretexto para o moralismo, e o moralismo transporta consigo a exclusão, a discriminação, a condenação, o ostracismo.


Por existir tanto dinheiro envolvido, e como a saúde de uma população está em causa, há quem defenda que o governo deveria regulamentar esta actividade profissional. Com isto poderia dar uma reforma digna a estas mulheres que, depois de terem sido prostitutas de luxo, acabam por ir parar às ruas de uma cidade. Tudo isto porque não tiveram uma entidade que retivesse parte dos ganhos delas enquanto elas ganhavam muito, e por isso acabaram-no gastando todo ou grande parte dele foi-lhe retirado. Também poderia existir uma entidade que ajudasse essas mulheres a poder estudar, dando-lhes condições financeiras para isso, muitas delas deixariam até a profissão. Mas não será também isto uma forma hipócrita de pensar a prostituição? Não seremos ingénuos em pensar que o problema ficaria resolvido? É preciso entender que muitos dos sujeitos que se prostituem usam seus corpos a partir de uma escolha a qual esta colocada num campo de possibilidades dum possível agenciamento social e, portanto, precisa ser respeitada enquanto tal. O corpo da prostituta não é que está à venda na relação comercial da prostituição. tal como, quando fazemos um texto argumentativo não colocamos a nossa cabeça (mente) à venda, apenas estamos “alugar” as nossas idéias e capacidades de criar. A legalização da prostituição, centrada numa concepção do mercado fechado, controlado e hierarquizado, se não for cuidadosamente executada pode levar ainda a uma maior segregação das prostitutas! Legislar sobre a prostituição levanta numerosos problemas burocráticos, alguns tão hilariantes que ninguém parece ter pensado neles. A inscrição na Classificação de Ocupações impõe certas condições: Descrição da ocupação, atribuições e responsabilidades, instrumentos de trabalho utilizados, horário de trabalho, situações de risco, certificações, carreira profissional, entidade reguladora. A prostituição é hoje transvestida, buscando argumentos do passado para perpetuar comportamentos e mentalidades em relação à condição da se humano. É uma profissão como qualquer outra? Temos de ter consciência que é um trabalho, uma vez que se estabelecem contratos, combinando-se o tipo de trabalho, o período de tempo e a quantidade de dinheiro. onde se trabalha, luta-se contra a concorrência, “esforça-se” para manter um padrão de qualidade, cumprem-se horários, protesta-se contra o movimento, etc. Todos nós colocamos os nossos serviços à mercê doutro, em que o corpo é o terreno dessas relações, afinal, o corpo é o espaço social no qual estão incorporados elementos sócio-culturais que comunicam significados.
Há muitas perguntas que ficam no ar, às quais as respostas dificilmente são consensuais, fáceis ou pacíficas. Como há alguns dias coloquei num blog dum amigo meu que também levantou a questão;

Os que querem estabelecer impostos para as prostitutas, terão de poder verificar a fonte dos rendimentos. O que supõe passar recibos e facturas?
Como se legalizaria e legislaria os contratos de arrendamentos e mudanças de habitação?
Dever-se-ía ponderar locais específicos ou permitir-se-ia a modelos tipo familiar? Quais as consequências reais nestes agregados familiares?
No caso de abandonar a prostituição continuava objecto de vigilância e certificações periódicas ou apagar-se-iam os registos?
Qual seria a idade mínima para se prostituir?
Haveria listagem registada de clientes?
Impunha-se a declaração obrigatória das gravidezes, obrigando a listagem de clientes a testes de paternidade?
Haveria códigos de conduta para clientes e prostitutas? Quem os faria cumprir?
Haveria certificações de qualidade? Quem as passava?
Quem era a entidade reguladora ou fiscalizadora? A ASAE? O Centro de Saúde? Uma comissão criada para o efeito?
Interditava-se (seria uma forma de proibir um tipo de prostituição), a presença de prostitutas em lugares públicos?
Com aumento da fiscalização não induziria à criação de espaços clandestinos?
Resolver-se-ia o problema do tráfico humano?

Nestas questões todas há uma discussão fundamental de cidadania, já que parece mesmo que as prostitutas são consideradas cidadãs pela metade, o que as impede de se estabelecer no lugar de quem tem autonomia do corpo e de suas escolhas. Talvez a perspectiva de um outro olhar possa transformar o sentido de ser sujeito social na prostituição em nosso país.
Por pensar que a prostituição existiu, existe e existirá sempre penso que a melhor maneira de a combater passará muito além da legalização mas na criação duma sociedade mais justa, mais igualitária, mais formada e informada, sendo o direito à saúde uma realidade inerente, atempada e adjacente a cada cidadão, o combate à corrupção se inicie transversalmente a toda a sociedade começando nas contas bancárias e a justificação do provimento de fortunas com aplicação de impostos correspondentes, talvez a prostituição possa continuar a existir, mas se a justiça souber julgar com celeridade os atropelos de exploração ou trato que lhes possam fazer ou que elas possam cometer aos clientes, talvez passem a ser problema muito residual, porque se existirem concerteza o farão na dignidade que merecem como Seres Humanos que são! Mais uma vez posso estar a ser um eterno sonhador, mas não será esta a sociedade mais sensata para existirmos? E, provavelmente se outros não tivessem acreditado nos sonhos ainda estaríamos algures a sair duma gruta envoltos em peles!...
Pensem Nisso

António Veiga

2 comentários:

Electra Maven disse...

Comentei no post abaixo! Mas so queria dizer que adorei a materia e adorarei acompanhar os seus blogs e gostaria de convida-lo a acompanhar o meu tambem! Te desejo tudo de bom! Beijos Electra

Siempre quise ser Al Capone disse...

Buen punto, pone el tema de las Naciones Unidas el dedo en la llaga.
La prostitución estigmatizado y eso es antes de los tiempos de Cristo.

Y es cierto, en Algunos casos alguien dedicado al servicio sexual Puede ganar más que un profesional como el país aquí en mi como table dance.

Y Buen tema e interesante artículo

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